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Mensagens

A mostrar mensagens de 2011

Sousa Jamba - mais uma vez

Na entrevista publicada pelo  Semanário angolense  Sousa Jamba mostra mais uma vez que é um dos casos interessantes da literatura angolana, aliás e mais exatamente: que continua a ser um dos casos interessantes da literatura angolana atual.  Pela naturalidade e frontalidade 'conversável' com que aborda os mais variados temas, pela humildade, pelo sentido de equilíbrio, pela reafirmação (conservadora mas não de conserva) da necessidade e da função social dos valores e vários outros motivos.  O nosso maior representante no mundo anglófono afirma no final:  a condição da diáspora angolana é a mesma que a minha, de ter de lidar permanentemente com várias culturas e vários valores. Só a da diáspora ou somente mais aí?

É ali já - é já ali

Numa passagem de Tudo isto aconteceu  o pai de Óscar Ribas conta uma história passada com ele em Cabinda. No meio da narrativa afirma que "vocês sabem que, para o preto, não há distâncias"; ele perguntava, numa caminhada, se faltava muito para chegarem e a resposta era, invariavelmente, que "é ali já" - porém, o "ali" eram muitos quilómetros ainda (v. p. 148, 2.º parágrafo). 

Adelino Torres - o poeta: visto por Maria Manuela Araújo

Adelino Torres : A Poética do Tempo  ou A Diagnose Poética do Inconformismo (Prof.ª Maria Manuela Araújo) A poesia de Adelino Torres é um grande contributo para a literatura lusófona. Ao explorar novas dimensões da experiência estética, Torres combina sensibilidade com um novo entendimento do espaço humano: uma poética do tempo como elemento de diagnose social, cultural e política da contemporaneidade. Este aspecto central da inovação poética de Torres é o objecto deste artigo. The poetry of Adelino Torres is a great achievement in the lusophone literature. By exploring new dimensions of aesthetic experience, Torres combines sensitivity to a new intelligence of the human world: a poetics of time as an essential element of social, cultural and political diagnose of contemporaneity. This central aspect of Torres’s innovation is the object of this article.  

Comparação encontrada por acaso

P- Inocência Mata, no seu livro Literatura angolana: silêncios e falas de uma voz inquieta (Mar Além, 2001), diz que entre as literaturas africanas de expressão portuguesa existe uma identidade comum, à partida, e, mais tarde, uma singularização. Afirma mesmo que os seus sistemas literários são sui generis . Que impressão tem deste aspecto e do epíteto «lusofonia» que lhe é incrustado?

Novembros

Novembro foi o mês decisivo dos angolanos, o mês da independência. No último dia desse mês morreu Fernando Pessoa, o autor da Mensagem que alimentou o nacionalismo espiritual português e também o grande poeta modernista. Estas duas balizas podiam servir como pontos de partida para a leitura de Novembro , de Victor Burity da Silva. Apenas como ponto de partida e explico porquê.

Um almoço e um cabinda

Augusto Bastos, inteligente e profícuo escritor, investigador e político benguelense, escreveu nos anos 30 o que talvez seja o primeiro policial angolano: As aventuras policiais do reporter Zimbro . Por mais que procure ainda não me deparei com tal livro. Descobri, sim, uma primeira publicação em folhetins no Jornal de Benguela , incompleta (embora com a maioria esmagadora dos capítulos). Isso vai suscitar-me comentários e estudos mais prolongados - e a extensão do texto não fica bem aqui. De resto, preciso prepará-lo primeiro para divulgação, pois contém muitas gralhas e uma grafia confusa.  Repasso entretanto este excerto hoje desconhecido e sempre delicioso, que narra um almoço por alturas de 1879 (ano em que penso que se desenrolam as 'aventuras'). O almoço, nesse tempo, era servido por volta das 10h da manhã.  Mantive a ortografia tal como na fonte. Mesmo as gralhas, que vão assinaladas.

Descoberta uma nova raça nos EUA em 1931

“O antropologo americano Edwin Embree acaba de surpreender os seus compatriotas com a descoberta de uma nova raça, que denominou americana-morena . Os elementos que contribuiram para ela são sangue de branco, de indio e de negro, devendo-se a sua iniciação a figuras distintas como Tomas Jefferson e Tyler .  Na América há 12 milhões de americano-morenos, estando-lhes reservado, segundo o professor Embree, o futuro da grande nação.  Isto é só para chocar a vaidade de certos apaixonados americanos de cabelos loiros…” ( Jornal de Benguela .  272 [23-12-1931] 1) ... Mas não só. E a colocação deste texto aqui, para além da leve ironia com que o fiz, excita várias reflexões. Em primeiro lugar a queixa subtil do articulista relativamente ao preconceito e cânone estético privilegiando os cabelos loiros. Em segundo lugar a reflexão sobre os motivos identitários do articulista ao transcrever a notícia. E daí me abalanço para as outras reflexões.  Em prime...

As casuarinas da Praia Morena

Pedro Vila Nova ( Pedro Severo d’Assunção Vila Nova, também advogado provisionário)  foi muito tempo secretário e chefe de secretaria da Câmara Municipal de Benguela. Não sei se nele se inspirou João Maria Vilanova, poeta da CPLP e, particularmente, de Vinte canções para Ximinha . João Maria, caso não seja pseudónimo,  pode mesmo ser filho, ou família, de Pedro Vila Nova, pois havia só uma família com este apelido por ali . Certo é que se espalharam por Benguela uma série de Vila Novas, incluindo D.ª Izabel Eunice (filha de Pedro) e António Duarte, o nosso protagonista de hoje.  Tenho dúvidas sobre o papel do patriarca Pedro Vila Nova na transição da Presidência legal da Câmara de Augusto Bastos para a Comissão nomeada arbitrariamente pelo Governador-geral da época. Acho que, a partir de certa altura, estava dissimuladamente do outro lado. Um parente chegado, não sei se filho, António Duarte Vila Nova, tendo-se formado como regente agrícola, foi nomeado responsável pel...

Revista USP - O estado da crítica: entrevista com Jonathan Culler

Muito interessante esta entrevista de Jonathan Culler a uma revista da USP: Revista USP - O estado da crítica: entrevista com Jonathan Culler Excerto: "e tem havido também um considerável retorno do interesse em conceitos como o conceito do Belo, que durante certo tempo chegou a ser também um tema expurgado do discurso crítico."

A entidade 'ocidental'

Há frases que já não tenho paciência para ouvir. Do tipo: "a partir da nossa perspetiva ocidental não será fácil entender o complexo fenómeno" ...de tudo o que julgamos não ser 'ocidental'. Santa paciência! Desconstruam-se sozinhos, porque "a nossa perspetiva ocidental", ou a deles, não é nada, é a visão deles de que essa visão é só deles e que, portanto, não conseguem ver nada além disso, embora vejam isto. 

Libros y Bitios

Blogue em espanhol, muito interessante para quem pretende manter-se atualizado no mundo da edição, da literatura e da cultura de hoje: Libros y Bitios  - segundo o próprio autor, "bibliografia, noticias y enlaces sobre edición digital y tradicional, lectura, escritura, libros"...

A peça do Largo

A 28 de Maio de 1935, inserida nas comemorações "do movimento revolucionario que estabeleceu a actual situação politica portuguesa", e para comemorar a "Campanha do Dombe", perpetuando "uma das paginas mais brilhantes da historia militar de Benguela", inaugurou-se a estátua do Largo da Peça. Por sinal, a dita peça está mesmo apontada na direção do Dombe Grande... A ideia tinha sido de Gastão Vinagre, o conhecido e polémico diretor de O intransigente , filho da elite colonial de então. O monumento foi concebido por Mimoso Moreira, sendo o largo "artisticamente ajardinado pelo nosso amigo Snr. Antonio Vila Nova", filho de Pedro Vila Nova, que foi muitos anos secretário da Câmara (atual Administração) Municipal de Benguela.  O intuito era assinalar o ponto de partida de tantas expedições e caravanas dirigidas ao interior e essa chamada "Campanha do Dombe", que não situei historicamente ainda mas pode ter sido a partir de 1845 ou 1848....

Rádio Clube de Benguela

A criação do Rádio Clube de Benguela galvanizou de forma geral os benguelenses e constituiu motivo de orgulho, até pelo pioneirismo da iniciativa. A primeira referência que li no Jornal de Benguela a tal iniciativa foi esta: RADIO CLUBE DE BENGUELA: Um grupo de senfilistas [sic] está tratando da organisação do Radio Clube de Benguela, para o que contam com a adesão de importantes elementos. Póde, de facto, este Clube prestar imensos serviços sob o ponto de vista cultural, motivo bastante para desejarmos que esta iniciativa obtenha pleno exito.

Cervejaria Guimarães em Benguela

O bar, ou cervejaria, Guimarães era um dos mais conhecidos de Benguela, até fechar. Ali se passaram histórias e estórias famosas, envolvendo figuras conhecidas da cidade, grandes boémios, grandes bebedores, grandes tudos e grandes nadas (e grandes tubos também). O Jornal de Benguela noticiou, em Novembro de 1933, a sua abertura. A inauguração deu-se a 18-11-1933. Era proprietário António Maria Guimarães, “antigo e devotado colono, cidadão que no nosso meio conta muitas simpatias”. Ficava na “Avenida do Tiro Civil” ( Jornal de Benguela . 47 [25-11-1933] 4). Segundo o sr. Joaquim Grilo, essa primeira cervejaria Guimarães ficava em frente à que a minha geração conheceu, ou seja, mais ou menos onde hoje está a Farmácia Nova (que se fez anunciar, acho que pela primeira vez, no Jornal de Benguela  de 1935, sob a firma Cipriano & Irmão).

O avô materno de Alda e Ernesto Lara filho

"Faleceu no fim do ano passado, na Certã, onde era muito estimado, o Senhor Joaquim Mateus dos Santos, pai estremecido da Senhora D. Adelina de Lara, esposa do nosso querido amigo Sr. Ernesto de Lara e do Sr. Ferreira Pires, marido da Senhora D. Noémia Pontes Ferreira Pires. A toda a família enlutada enviamos a expressão do nosso sincero pezar pelo grande desgosto que a atingiu".  ( Jornal de Benguela , 2-2-1935, p. 7).  Para além de mostrar o peso que tinha ainda este grupo familiar em Benguela nesse tempo, o anúncio dá-nos informações úteis. Entre elas nos explica de onde vem o apelido "Ferreira Pires", de Alda Ferreira Pires Barreto de Lara (Albuquerque por casamento), e o "Pires" de Ernesto Pires Barreto de Lara Filho.   Esta família Ferreira Pires, associada ao nome Pontes, reaparece numa local de 23-3-1935, p. 7 (n.º 129), que transcrevo: “Encontra-se em Benguela o considerado comerciante no Congo Belga Sr. J. M. S. Ferreira Pires, genro ...

Os Laras e a Fazenda Aurora

Os irmãos Lúcio e Abel Gouvêa Barreto de Lara constituíram, com mais algum sócio (Manuel da Costa Santos, de "Mossamedes"), a 5-2-1919, uma sociedade (Joaquim Rodrigues Gouvêa, Sucessores) para exploração ("agrícola e industrial") da Fazenda Aurora por 5 anos. A fazenda situava-se em "Tchingila, Bailundo", era de uma grande extensão e desenvolveu-se bastante. Isto se percebe através de anúncios e cópias de constituição da empresa publicadas no Jornal de Benguela .

Identificação e especialização

O livro de Roberto Ventura –  Estilo tropical: história cultural e polêmicas literárias no Brasil (1870-1914)  – embora não seja tão ‘estilístico’ quanto promete, permite-nos perceber de forma clara a evolução do ‘Brasil mental’ mais ou menos entre o advento da Escola do Recife e o Modernismo. 

D. Alexandre do Nascimento em Retiro no Vaticano

A cultura angolana escrita regista uma sólida e continuada presença da Igreja no seu historial. Isso decorre, como é lógico, dos tempos em que a Igreja cá chegou, nos quais ela tinha um peso decisivo sobre a sociedade e a urbanidade. Mas não deriva só daí. Para prová-lo está o facto de ela continuar a gerar intelectuais de vulto no meio de nós.

Assalto ao jornal Angolense - métodos...

Telegrama oficial para o Governador de Benguela:  "Circular 430 - Constando correm boatos alteração ordem pública Loanda são absolutamente falsos. Apenas se deu caso meramente pessoal desforço 3 oficiais foram tomar jornal Angolense causa suelto ali publicado, Loanda maior tranquilidade".  Simultaneamente, outro telegrama para Benguela comunicava que tinha havido duas grandes manifestações a favor do Governador Geral, que aumentara os "vencimentos a civis e militares".  Isto foi em 1920. Métodos...

O soba e os homens - suicídio

“Fim trágico de um soba  UM VENCIDO DA VIDA  Suicidou-se há dias, dando um profundo golpe com uma faca no pescoço, que lhe deu morte instantes depois, o soba da Mama, de nome Mabango , proxima desta povoação. Foi sempre submisso á nossa soberania, e muito respeitador quere para com os comerciantes, que foram unanimes em lamentar o seu tragico fim, quere para com as autoridades, e isso já de longa data o vinha demonstrando pois em 1902 desligou-se dos actos rebeldes dos seus colegas que naquela ocasião até aqui os fizeram chegar havendo em (Ganda-Cáue) uma das principais fazes, que em todos gravou a data de gloria que finalisou o desassocego nesta região. Disse não poder satisfazer o pedido de homens que lhe eram solicitados pela autoridade da jurisdição a que pertencia.  Huambo – Caála, 1-4-920   Cachequengue ” ( Jornal de Benguela . n.º 16 [23-4-1920] p. 4)

De relance... o império da ciência maravilhosa

"Acaba de ser descoberto um novo e original aparelho que em si reune todas as vantagens do automóvel, do avião, do navio e do submarino. Chamaram-lhe Messaurian . Com êste meio de locomoção de novo género, o homem pode, a seu bel-prazer, andar por terra como pelos ares, pela superfícia como pelas profundesas dos oceanos. O planeta que habitamos, deixa de opôr obstáculos à vontade ou ao capricho dos seus habitantes que pela sua inteligência, pelas maravilhas da ciência que criaram, zombam hoje das dificuldades naturais que êle lhe oferecia mas que souberam vencer." ( Jornal de Benguela . n.º 8 [27-2-1920] p. 3)

Já em 1917...

"Já em 1917 tivemos ocasião de criticar aserbamente a insânia de se bater o gentio rebelde do Amboim e Seles com os auxiliares bailundos. A conclusão que amboins musseis tiraram deste acto impolítico, é que se não fôssem êles nós não tinhamos fôrças para os dominar e por sua vez os bailundos ficaram convictos que, sem êles, nunca poderiamos ter subjugado os amboins e musseis" ( Jornal de Benguela . n.º 7 [20-2-1920] p. 3)

Ritmo e poesia - 1

A relação entre oraturas angolanas e a poesia escrita (refiro-me à poesia em verso, principalmente lírica) traz-nos à reflexão uma renovação temática e estrutural cujas consequências ainda estão no começo de serem consideradas.

o estrangeiro e a escravatura

"Existe, aliás, em toda a extensão do Brasil, um costume, cuja influência em um regime tão deplorável como o da escravidão, não se poderia louvar excessivamente. Se um estrangeiro, passando pela rua ou atravessando uma roça, ouve os gritos de um negro que está sendo fustigado, seu pedido pode suspender, no mesmo momento, o castigo" (Ferdinand Denis, Le Brésil , 1888)

a autoformação das literaturas

A formação da língua portuguesa é vista geralmente como um processo de derivação da língua latina. O argumento que salta mais à vista é o de cerca de 80% de léxico oriundo do latim. Mas um léxico não forma uma língua. Muito menos uma literatura, ou uma poesia, que é o que me faz vir à língua.

mobilidade académica e cooperação universitária XXI AULP 2011 Bragança Portugal

A mobilidade académica entre países lusófonos tem, sem dúvida, crescido nos últimos anos e envolvido quadros cada vez mais diversificados. O aumento da cooperação universitária põe mais a nu problemas que se vinham colocando há muito tempo a vários de nós. Pretendo enumerar alguns positivamente e criticamente. Sem papas na língua e também sem intuitos destrutivos.

a decadência cognitiva e o privilégio da violência

"... a intelecção dos erros e equívocos revela o processo cumulativo de declínio. A fuga à compreensão entrava as inteleções exigidas pelas situações concretas. Emergem então diretrizes desprovidas de inteligência e cursos de ação desajustados. A situação deteriora-se, exige constantemente outras inteleções que, à medida que são bloqueadas, tornam mais obtusas as diretrizes e mais inepta a ação. Pior ainda, a situação em vias de deterioração parece fornecer à mente acrítica e preconceituosa provas factuais de que o pretenso preconceito se verifica. Assim, em medida sempre crescente, a inteligência acaba por ser considerada como irrelevante para a vida prática. A atividade humana amolda-se a uma rotina decadente, e a iniciativa torna-se privilégio da violência" (Bernard Lonergan - Insight: um estudo do conhecimento humano . trad. Mendo Castro Henriques e Artur Morão. São Paulo: É realizações, 2010. - Prefácio à edição canadense, p. 25).

Plínio Palhano

Plínio Palhano é um desses extraordinários criadores pernambucanos cuja obra fica mal conhecida fora de um círculo ou circuito estrito. Desde poetas como Carlos Pena Filho, ou Alberto Cunha Melo, ou Ângelo Monteiro e Lucila Nogueira, até este artista plástico a arte e a literatura de Pernambuco, particularmente de Olinda-Recife, continua a constituir uma experiência instigante para estudiosos e apreciadores. Talvez recursos como a Internet estejam subaproveitados por alguns destes criadores artísticos. Atualmente foi colocada em rede uma mostra significativa, que vale mesmo a pena visitar, de quadros de Plínio Palhano. Para ela remeto os visitantes do blogue. É só clicar em Plínio Palhano

Portugal não precisava de ajuda externa

É o que dizem alguns analistas a propósito da crise portuguesa.  Discordo. Precisava, sim. Há muito tempo. Mas não pelo que se diz.  Parece-me que Portugal tem sido um país crónicamente mal governado. Sendo pobre de recursos naturais só uma boa gestão pode fazê-lo viável. A má gestão contínua, alimentando empresários pouco produtivos, isso é que tornou a ajuda externa incontornável há mais tempo do que 2011.  Incontornável porque é necessário acabar com a chulice das empresas públicas e das fundações e dos assessores e dos sacos sem fundo e nenhum político português até hoje conseguiu isso. Por um motivo simples: é preciso alimentar as clientelas que dão vitória e quadros aos partidos. As clientelas alimentam-se com empregos e facilidades que só uma rede de grandes empresas públicas e fundações pode sustentar.  A intervenção do FMI e da UE levará a quebrar essa falsa rede empresarial e a dinamizar a economia do pequeno país. Obrigará os empresários a ge...

Afrikkanitha ainda sonho

Vale a pena ouvir o novo CD desta cantora angolana Ainda sonho . A cantora melhorou a sua performance (que já era boa), tornou totalmente convincente e universal a interpretação, diversificou mais ainda o leque de escolhas (o que se reflete nos títulos e línguas das letras, na versatilidade estilística e no coletivo de músicos envolvidos), tráficos e influências, numa variedade artística sentida e consciente que a prepara para se apresentar em qualquer palco do mundo jazzístico sem precisar de paternalismos ou críticas benevolentes (e desleixadas). Sente-se que este Ainda sonho é, como a cantora diz, mais uma obra de amor. De um amor que se cultiva, aprofunda, mistura e depura ao mesmo tempo. É produtiva a comparação do estilo vocal de Afrikanita (que me desculpe: simplifiquei a grafia) com outras cantoras de Jazz da atualidade. Para além de alguns nomes do Jazz brasileiro e da portuguesa Maria João, há profundas similaridades com uma linha interpretativa que escutamos – para f...

Amin Maalouf as identidades assassinas

  "… todos aqueles que não nasceram com uma limusina estacionada debaixo da varanda, todos os que desejam sacudir a ordem estabelecida, todos os que se revoltam contra a corrupção, a arbitrariedade estatal, as desigualdades, o desemprego, a ausência de horizontes, todos os que dificilmente encontram o seu lugar num mundo em rápida mudança, sentem-se tentados pelo movimento islamita. Satisfazem aí, ao mesmo tempo, a sua necessidade de identidade, a sua necessidade de inserção num grupo, a sua necessidade de espiritualidade, a sua necessidade de decifração simples de realidades demasiado complexas, a sua necessidade de ação e de revolta.   Ao dar testemunho de todas estas circunstâncias que conduzem os jovens do mundo muçulmano a entrar nas fileiras dos movimentos religiosos, não posso deixar de sentir um profundo mal-estar. Este mal-estar advém do facto de, no conflito que opõe os islamitas aos dirigentes que os combatem, me sentir incapaz de me identificar com um ou com o outro ...

Greve no Egito

Não foi agora, não. Mas em 1152 AC. Trata-se da primeira greve documentada da história da humanidade. Trabalhadores egípcios suspenderam a construção do túmulo de Ramsés III por atrasos nos pagamentos.  Os pagamentos eram em grão e semanais. Por culpa do poderoso governador de Tebas atrasaram-se três semanas - o equivalente a quatro sacos de trigo e um saco e meio de cevada. Depois de abandonarem o trabalho, dirigiram-se ao templo onde se guardavam os mantimentos e os sacerdotes entregaram-lhes imediatamente o que estava em dívida, com medo de uma revolta popular e correndo o risco de enfrentar o déspota de Tebas.  Afinal os egípcios estavam habituados aos protestos há milénios.

Antonio Gómez Poética

Al enfrentarme hoy a este intento de analizar mi poesía , no puedo evitar el ver toda mi obra como algo accidental. Esta circunstancia, presente desde el primero de mis poemas, imprime en mi poética el carácter de provisional o transitoria. Casi cuarenta años de fiel convivencia con la poesía y todavía mí respuesta se diversifica en estilos y tendencias diferentes. Sin objetivos claros ni determinados. Sin buscar rupturas deliberadas, ni pretender ser espejo de contraste. Mi actitud poética me ha conducido hasta el convencimiento personal de que toda realidad puede ser enriquecida al abordarla con nuevas técnicas, siempre que el rigor y la honradez estén presentes en todo el proceso del acto creativo. Tengo muy claro que el ejercer de poeta no es consecuencia de la inspiración, ni tampoco de una aventura estética. La poesía (en mí) es un hecho intrínseco, inmanente, esencial y necesario. Es también un continuo aprendizaje, atento siempre a la realidad inmediata y abierto ...

Chá de Caxinde marginalizada

Inteiramente solidários com a Associação Chá de Caxinde, grosseiramente marginalizada pela Direcção Provincial da Cultura de Luanda, reproduzimos aqui, para quem não teve acesso a ele, o seu comunicado de imprensa: " COMUNICADO DE IMPRENSA PELO RESPEITO ÀS INSTITUIÇÕES O Grupo de Carnaval “Os Unidos do Caxinde” foi proclamado a 27 de Março de 2001, sob patrocínio da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde.   Após a sua participação na 33ª. edição do Carnaval de Luanda e no momento em que se apresta a festejar o seu 10º. aniversário, vem, através do presente Comunicado de Imprensa e antes do mais, felicitar o Grupo União Sagrada Esperança pela brilhante conquista do título de campeão do Carnaval de Luanda de 2011. Vem igualmente felicitar e estimular os demais grupos participantes por tudo quanto têm feito a favor do desenvolvimento e promoção do Carnaval angolano. Reunido o Conselho Directivo da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, e após ...