Geralmente mal consideradas – numa tradição crítica que vinha já do período helénico da cultura mediterrânica – as novelas, desde o século XVIII até bem dentro do Romantismo, desempenharam um papel fundamental no meio literário, cultural, político e social. Em primeiro lugar por serem tão populares. Em segundo lugar porque muitas delas estavam bem escritas, usavam com arte e subtileza os artifícios próprios da narrativa (erudita e popular) e as armas da retórica. Em terceiro lugar porque figuravam e veiculavam ideias e informações que, de outra forma, eram somente conhecidas por uma escassa elite intelectual. Em quarto lugar porque, entre essas ideias, havia ideias políticas avançadas que vieram a explodir e a tentar realizar-se a partir da revolução francesa do fim desse mesmo século XVIII. A novela se autonomizou relativamente aos quadros temporais e sociais, atravessando o século XIX quase imperturbável. Tendo ganho com o Romantismo (simultaneamente com o triunfo da burguesia...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.