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Mensagens

A mostrar mensagens de fevereiro, 2012

Ciência e publicação científica: relações distorcidas

A 21 deste mês o jornal Le figaro dava, num só texto , duas notícias diferentes. Ambas tinham em comum o facto de cientistas protestarem contra grupos editoriais, nomeadamente o gigante holandês Elsevier e o grupo Springer - o segundo maior da divulgação científica em França. No primeiro caso, uma petição que apela ao boicote, iniciada por um matemático britânico, já foi assinada por 6800 pesquisadores do mundo inteiro. Um dos cientistas resume bem a situação:   Nous payons pour soumettre un article ; s'il est accepté, nous payons pour le faire publier ; parallèlement nous relisons bénévolement les travaux de nos pairs pour les corriger et les valider avant publication ; enfin nous payons pour y avoir accès. Et le plus fort, c'est que nous abandonnons tous nos droits après publication. Análise quantitativa: lucros de "1,1 milliard de dollars en 2011" só para Elsevier .  Este mal-estar não me espanta. Na verdade esperava-o já há alguns anos, porque me ...

Borges e a corda de areia - o livro que não se repete

Borges imaginou um livro que não podia ser lido por duas vezes da mesma maneira . Tal como, alguns milhares de anos antes em Éfeso, Heráclito observou que não passamos duas vezes nas águas do mesmo rio. Os gregos antigos ativavam muitas vezes a criatividade através de paradoxos - como Borges. Mas não é por isso que escrevo agora. Se pensarmos na imagem e na estrutura do livro que retemos quando o lemos, isso aconteceu desde sempre. Mas acontece na nossa mente e por tal motivo muitas vezes os estruturalistas foram ridicularizados (porque pretendiam pesquisar cientificamente algo que não se via, não era palpável nem mensurável e se transformava continuamente).  Juntamente com a introdução do movimento no texto (podendo portanto as letras mover-se, mudar de lugar fazendo mudar frases e versos), a interatividade que a ciberliteratura e a literatura em rede possibilitam veio realizar em tela, tornar visível esse mito borgiano e estrutural : um livro que não pode ser lido da mes...

Mussunda e o funcionamento poético

" Nós somos, Mussunda  amigo " - dizia Agostinho Neto ainda antes dos epítetos .  Esta palavra Mussunda sempre me intrigou, creio que por instinto etimológico. Valeu a pena seguir a intriga.  Não é bem porque mussunda pode referir uma localidade no Uíge, cerca de 313 km's de Luanda - mostrando assim como as nossas línguas andam intrincadas.  É porque essa palavra designa um pau. Segundo se informava na velha revista Diogo Cão ( n.º 2, série III, a partir da p. 41 ), na secção dedicada à «Medicina indígena», tal pau "é bom para dores de garganta. Vai-se mastigando para ingerir o sumo dele. É ainda bom para a “esquinência”, mastigando-se também ou em pó dissolvido na água. Serve ainda para “quem estiver empachado do estômago” pois “faz logo vomitar” e por isso também serve de contra-peçonha." É claro que o poema se refere a uma personagem concreta, refere mesmo uma situação específica ("à mesma dedicação ao mesmo amor com que me salvaste do a...