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Mensagens

A mostrar mensagens de setembro, 2012

Crioulização, crioulidade, pidginização e mistura cultural

Com o uso abusivo do termo «crioulo» por parte do discurso populista de alguns partidos e políticos angolanos, a discussão revela-se cada vez mais imprecisa e submetida a lógicas de interesses particulares, procurando forçar o processo geral de constituição da nação de forma a arredar do mesmo grupos ou pessoas que dele participam criticamente.  Esse tipo de retórica e de processo é muito comum, justamente quando estamos em fase de acentuada crioulização, que torna popular a defesa das ordens e dos limites anteriores, agora fixados, imóveis e, por isso, facilmente manipuláveis. As nossas identidades, todas elas localmente radicadas (mesmo as que são acusadas por alguns de 'exógenas'), interagem cada vez mais acentuando a consecução de misturas e de sínteses culturais que podem conduzir, ou não, à nova identidade, a da nação angolana dos próximos anos. Identidade nova que se manterá, muito provavelmente, em aberto, mesmo depois de se afirmar como identidade fixa... Cabe-nos...

Novo livro de crónicas de Filipe Zau

Foi lançado ontem o novo livro de crónicas de Filipe Zau, Do acto educativo ao exercício da cidadania (Luanda: Mayamba). A cerimónia decorreu na Faculdade de Ciências Sociais, coincidindo com o início da Feira do Livro que, a partir de ontem, ali decorre. Dia 20 deste mês será o segundo lançamento, na Universidade Independente, onde o autor é Vice-Reitor. Filipe Zau é um nome suficientemente conhecido em Angola, quer no meio musical e poético, quer no meio pedagógico, quer no meio dos investigadores da nossa História em vários campos (o nacionalismo, a educação, a música também). Por isso torna-se desnecessário apresentá-lo. Apresento, sim, a sua última obra, que acaba de sair, porque essa ainda a maioria de nós não conhece. Neste livro ele reúne muitas das crónicas que tem publicado no Jornal de Angola e creio que mais algum texto. Elas dão-nos bem a dimensão da personagem, o perfil intelectual e moral e os seus campos de atuação. Numa versão fácil e comunicativa, que é também timb...

O escritor e o prémio

Muito provavelmente, desde que foram instituídos os prémios literários suscitam polémicas, invejas, disputas e, sobretudo, falsificam a vida literária. Não me parece, porém, que o problema esteja no ato de premiar. O problema está no meio literário que é, refletindo a mentalidade dos seus atores, um meio propenso à inveja, à disputa insensata pela 'glória' (o reconhecimento), à substituição de julgamentos próprios por imposições de valores artísticos a uma dada comunidade.  A luta por um reconhecimento fácil e público traz algumas vantagens quando bem conseguida, sobretudo a monetária, possivelmente cargos de prestígio em alguma instituição, pouco mais. O que ela nunca traz é um certificado de garantia estética.  O problema está precisamente aí. Nenhum prémio nos assegura que o escritor que o recebeu é um bom escritor, que ficará para a eternidade porque, precisamente, escreveu de tal maneira que suscita admiração estética aos mais diferentes leitores em séculos bem dista...