Com o uso abusivo do termo «crioulo» por parte do discurso populista de alguns partidos e políticos angolanos, a discussão revela-se cada vez mais imprecisa e submetida a lógicas de interesses particulares, procurando forçar o processo geral de constituição da nação de forma a arredar do mesmo grupos ou pessoas que dele participam criticamente. Esse tipo de retórica e de processo é muito comum, justamente quando estamos em fase de acentuada crioulização, que torna popular a defesa das ordens e dos limites anteriores, agora fixados, imóveis e, por isso, facilmente manipuláveis. As nossas identidades, todas elas localmente radicadas (mesmo as que são acusadas por alguns de 'exógenas'), interagem cada vez mais acentuando a consecução de misturas e de sínteses culturais que podem conduzir, ou não, à nova identidade, a da nação angolana dos próximos anos. Identidade nova que se manterá, muito provavelmente, em aberto, mesmo depois de se afirmar como identidade fixa... Cabe-nos...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.