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A mostrar mensagens de janeiro, 2016

Almeida Garrett, Maia Ferreira e Cordeiro da Matta

Almeida Garrett (1799-1854), grande poeta português que Machado de Assis venera mas acha (com razão, a meu ver) por vezes ingénuo, era lido e louvado em Angola através de muitas obras. E não foi só lido por portugueses residentes, pois até a sua crítica ao colonialismo , quando escreve e poetiza sobre o Brasil, encontraria mais eco nos filhos da terra que nos estrangeiros residentes. Crítica, aliás, ao colonialismo, à escravatura e ao racismo: Malfadado Brasil; metal p'rigoso Germe de crimes preço de mil vidas Que de augusta razão por vil opróbio À dif’rença da cor veda o ser de homem. Em Angola encontramos obras suas a partir, pelo menos, de 1855, num espólio em Benguela, onde se menciona Camões: poema  (as fontes anteriores, em particular os Inventários orfanológicos  de Luanda, não me foi dado consultar até hoje, apesar dos esforços desenvolvidos). Logo no ano seguinte aparece a primeira edição das Flores sem fruto num segundo espólio. Não estávamos muito atr...

A bibliografia de Alexandre Herculano em Angola no século XIX

Alexandre Herculano (1810-1877) foi um dos autores lido e reverenciado no Atlântico lusófono no século XIX. Aqui vou referir, em particular, o que circulava no Recife (de onde veio bibliografia para Angola até, pelo menos, 1850), quer em Luanda, quer em Benguela. Nos Inventários orfanológicos de Benguela aparecem: .        “O Monasticon”, em 3 vol’s., num espólio de 1855 (um díptico narrativo constituído por O monge de Cister e Eurico, o presbítero ). Pertenciam a um riquíssimo comerciante português. .        “O Bobo”, na edição póstuma da Viúva Bertrand, de 1878 (exemplar incluído no espólio da Biblioteca Municipal de Benguela, constituído e organizado pela Fundação Gulbenkian a partir de ofertas próprias e doações locais). Em Luanda predominavam .        as Lendas e narrativas (a 6.ª ed., na atual Biblioteca do Governo Provincial, e a 12.ª, no Ar...

Luz Soriano, Cordeiro da Matta e Angola

Simão José da Luz Soriano foi médico, historiador e político liberal que nasceu, segundo ele próprio, a 8-9-1802 (m. 18-8-1891). A mais conhecida e maior das suas obras circulou por Benguela a meio do século XIX - a  História do cerco do Porto .  É uma “ obra colossal ” que aparece numa edição em 2 vol’s (a primeira de 1846-1849) de um espólio benguelense de 1855 e que pode ter sido enviada pelo próprio autor  (Soriano, 1891 p. 435) , mediante assinaturas prévias  da publicação (pelo menos 60  (Soriano, 1891 p. 547) ) e por via do então Governador (amigo de Maia Ferreira), o Major Joaquim Luiz Bastos.  No âmbito das funções exercidas na Secretaria de Angola do Ministério português da Marinha e Ultramar, Soriano diz ter concordado com a nomeação de Bastos, a quem se confessou afeiçoado e “posto que não deixasse de ponderar o inconveniente de ser o nomeado homem de cor tendo por outro lado a fama de honrado, e de grande inimigo dos que defraudavam ...