Morreu – não sabemos ainda como – o escritor e antropólogo angolano Ruy Duarte de Carvalho, um dos nossos muitos escritores com formação inicial no estudo da fauna e da flora (assim de repente há nomes que me assaltam a memória: Ernesto Lara Filho, Inácio Rebelo de Andrade, João Maimona. Mas há mais). De feitio difícil, deixou no entanto uma obra marcante em várias disciplinas artísticas e ensaísticas: na lírica, onde contribuiu para a renovação decisiva da poesia angolana nos anos 70; na narrativa, misturada à reflexão antropológica desde Como se o mundo não tivesse Leste ; no hibridismo genológico, acentuado pela aproximação entre ensaio, reportagem e narrativa artística – hibridismo acentuado com o passar dos anos e já misturado à cinematografia em Sinais misteriosos… já se vê… ; no próprio cinema, em que a reflexão antropológica e identitária é também dominante; na investigação em ciências sociais, com destaque para Ana a Manda – sua tese de doutoramento em Paris, na EHESS – mas ...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.