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Cendrars e a descolonização da Europa

  A descolonização da Europa: um refluxo globalizante Francisco Soares CITCEM-FLUP-UP Resumo : O artigo persegue uma hipótese clara: a de que a história literária europeia, particularmente o advento dos modernismos, pode ser compreendida, em grande parte, pela articulação dos respetivos países com o processo de globalização dos mercados. Exploro, com mais pormenor, o caso do escritor Blaise Cendrars antes do seu desembarque no Brasil. (i) 1 O processo de globalização dos mercados, para muitos autores, iniciou-se nos séculos XV e XVI, coincidindo com o princípio da expansão marítima e colonial europeia. A partir dessa altura, escritores das colónias, ou de reinos com uma intensa relação com países europeus colonizadores (como era o caso do reino do Kongo), tornavam-se literatos dentro de um sistema de ensino formal (o dos jesuítas, principalmente), inspirado no sistema das universidades europeias e na respetiva divisão dos saberes ( trivium , quadrivium ). Inteligiam das tradições o...

Como estudar a formação de uma literatura - a angolana, no caso -

estabelecer fronteiras e datas e identidade fixa, ou compreender e conhecer como se foram formando textos, leituras, comunidades e, depois, sistemas literários nos vários países? Ou seja: por uma leitura identitária, militante, marcada, ou por uma leitura do processo de crioulização no qual as literaturas se vão formando a partir de contributos vários? COMO ESTUDAR A FORMAÇÃO DE UMA LITERATURA - A ANGOLANA, NO CASO https://www.youtube.com/embed/TW-YEOfRgnU Na sequência desse vídeo, tiram-se várias conclusões. A principal é a de que não se pode estudar uma literatura sem a perceber em diálogo, tenso e contraditório, com as outras. É claro que uma literatura própria tem continuidades próprias, aliás constantemente chamo a atenção para isso. São mesmo estas continuidades que entram em diálogo e se renovam conversando ou confrontando outras.  No caso da Literatura Angolana, houve outra literatura incrustrada no seu território, no território no qual a respetiva comunidade de autores e d...

Data do regresso de Maia Ferreira a Luanda

O estudo da formação da literatura angolana é indissociável da consideração sobre a circulação cultural nas redes comerciais entre as quais se posicionava aquela pequena comunidade literária. Isso pede uma leitura ‘para dentro’ (conhecer as rotas de caravanas comerciais no interior, as oralidades em rotação no ‘interior’, que fizeram, por exemplo, chegar a lenda da mayombola a um funcionário colonial português em Luanda no meio do século XIX) e uma leitura ‘para fora’ (a circulação de livros de literatura entre os mais importantes portos do Oceano Atlântico – destacando-se, para o nosso caso, os lusófonos, mas não exclusivamente). Neste contexto, figuras como a de José da Silva Maia Ferreira são cada vez mais importantes. Em primeiro lugar pela sua própria poesia, confluência de várias outras, com destaque para a brasileira, a portuguesa e a francesa; em segundo lugar porque ele circulou por essas rotas atlânticas mais batidas pelo comércio da época. Infelizmente, o estudo da...