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Mensagens

A mostrar mensagens de 2016

Lavra de rosa-lobo

A publicação de mais um livro de Luís Rosa Lopes – Forças da minha lavra – suscita-me reflexões acerca de um momento crucial e ténue da história da literatura angolana. Luís Rosa Lopes nasceu em 1954 em Luanda. Os poetas que nasceram por estes anos podem-se dividir em dois grupos: os de transição entre a poesia militante e a poesia dos anos 80 e os iniciadores da poesia dos anos 80. No primeiro grupo, entre muitos outros nomes, podemos colocar e destacar os de Paula Tavares (1952) e João Melo (1955). No segundo grupo podemos incluir e destacar José Luís Mendonça (1955) e João Maimona (1955). As datas confundem-nos, porque realmente se trata de um grupo de transição e, como em todos os processos de transição, uns ficam mais próximos do passado, outros mais próximos do futuro e outros ainda mais próximos… da transição, mais fiéis ao momento. Creio ser este o caso de Luís Rosa Lopes. Se as datas parecem confusas, o estilo que distingue uns dos outros pode ser diferenciad...

Bocage em Angola - no século XIX

Por uma santa queres tu passar, E mal sabes que no mundo exaltar Honra e virtude, é uma peta e engano, Como em bom verso disse o divo Elmano (Cordeiro da Matta, «A uma Lucrécia», Luanda, 1887)

Almeida Garrett, Maia Ferreira e Cordeiro da Matta

Almeida Garrett (1799-1854), grande poeta português que Machado de Assis venera mas acha (com razão, a meu ver) por vezes ingénuo, era lido e louvado em Angola através de muitas obras. E não foi só lido por portugueses residentes, pois até a sua crítica ao colonialismo , quando escreve e poetiza sobre o Brasil, encontraria mais eco nos filhos da terra que nos estrangeiros residentes. Crítica, aliás, ao colonialismo, à escravatura e ao racismo: Malfadado Brasil; metal p'rigoso Germe de crimes preço de mil vidas Que de augusta razão por vil opróbio À dif’rença da cor veda o ser de homem. Em Angola encontramos obras suas a partir, pelo menos, de 1855, num espólio em Benguela, onde se menciona Camões: poema  (as fontes anteriores, em particular os Inventários orfanológicos  de Luanda, não me foi dado consultar até hoje, apesar dos esforços desenvolvidos). Logo no ano seguinte aparece a primeira edição das Flores sem fruto num segundo espólio. Não estávamos muito atr...

A bibliografia de Alexandre Herculano em Angola no século XIX

Alexandre Herculano (1810-1877) foi um dos autores lido e reverenciado no Atlântico lusófono no século XIX. Aqui vou referir, em particular, o que circulava no Recife (de onde veio bibliografia para Angola até, pelo menos, 1850), quer em Luanda, quer em Benguela. Nos Inventários orfanológicos de Benguela aparecem: .        “O Monasticon”, em 3 vol’s., num espólio de 1855 (um díptico narrativo constituído por O monge de Cister e Eurico, o presbítero ). Pertenciam a um riquíssimo comerciante português. .        “O Bobo”, na edição póstuma da Viúva Bertrand, de 1878 (exemplar incluído no espólio da Biblioteca Municipal de Benguela, constituído e organizado pela Fundação Gulbenkian a partir de ofertas próprias e doações locais). Em Luanda predominavam .        as Lendas e narrativas (a 6.ª ed., na atual Biblioteca do Governo Provincial, e a 12.ª, no Ar...