A militância apressada dos jornalistas de serviço espreme-se toda para apresentar, logo nos títulos, uma visão distorcida das eleições nas Honduras. Daí sub-títulos associados a 'eleições nas Honduras', do tipo 'para sair da crise', '5 meses após o golpe', como se as eleições fossem o resultado da superação do golpe ou coisa parecida – e, portanto, uma vitória do apoio internacional a Zelaya. Pelo contrário, estas são as eleições previstas constitucionalmente e desde o início do mandato de Zelaya. A tentativa do ex-presidente de se perpetuar no poder, contra o determinado pela Constituição, é que punha em risco ou mudava radicalmente o caráter destas eleições, acompanhando-as de um referendo que permitisse a Manuel Zelaya recandidatar-se e re-eleger-se (por prudência, a Constituição hondurenha não permite que o presidente em exercício se recandidate). Portanto os chamados 'golpistas' cumpriram realmente com o que disseram: eles afastaram Zelaya para ...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.