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Mensagens

A mostrar mensagens de novembro, 2009

Eleições nas Honduras

A militância apressada dos jornalistas de serviço espreme-se toda para apresentar, logo nos títulos, uma visão distorcida das eleições nas Honduras. Daí sub-títulos associados a 'eleições nas Honduras', do tipo 'para sair da crise', '5 meses após o golpe', como se as eleições fossem o resultado da superação do golpe ou coisa parecida – e, portanto, uma vitória do apoio internacional a Zelaya. Pelo contrário, estas são as eleições previstas constitucionalmente e desde o início do mandato de Zelaya. A tentativa do ex-presidente de se perpetuar no poder, contra o determinado pela Constituição, é que punha em risco ou mudava radicalmente o caráter destas eleições, acompanhando-as de um referendo que permitisse a Manuel Zelaya recandidatar-se e re-eleger-se (por prudência, a Constituição hondurenha não permite que o presidente em exercício se recandidate). Portanto os chamados 'golpistas' cumpriram realmente com o que disseram: eles afastaram Zelaya para ...

Sombras católicas

Os bispos angolanos, na mensagem pastoral emitida no final da segunda Assembleia Plenária da Conferência Episcopal de Angola e S.Tomé e Príncipe (CEAST), vieram mais uma vez tomar a posição responsável, equilibrada e lúcida que os tem caracterizado. Resumidamente, reconhecem que tem havido uma evolução positiva mas que permanecem "sombras" e "ambiguidades" a vários níveis. Por exemplo: na liberdade de imprensa (cita-se, naturalmente, o caso da rádio Eclésia, mas apenas como um dos exemplos), não se verificando na prática disponibilidade para deixar abrir novas rádios – e esse é apenas um dos aspetos (leia-se o artigo de Gustavo Costa no Novo jornal de há 20 dias); na distribuição de riqueza, com as assimetrias gritantes típicas de um regime de capitalismo selvagem; na discriminação social (em que o pobre, com o qual nada distribuímos, é visto cada vez menos como pessoa). É esta posição de equilíbrio que faz falta à oposição angolana, para quem tudo está errado e ...

Obra em progresso

Haroldo de Campos disse que "o artista brasileiro, depois do primeiro livro, costuma especializar-se em nuances da própria dicção (nos melhores casos). Não é hábito da literatura brasileira a obra em progresso, mas a obra em reflexo" (1) . António José Saraiva tinha dito algo parecido sobre o poeta português, que teria a tendência para se ir fechando nas soluções formais que o tornaram conhecido, partindo de alguma imaginação e inovação para o fechamento a isso e o apuro formal das primeiras descobertas (2) . De maneira que tenta sempre o mesmo poema, é como se quisesse escrever sempre o mesmo poema cada vez com maior perfeição. Não sei se isso é só próprio dos artistas-poetas dos dois países lusófonos. Acho que é próprio de uma ideia de poesia que deve muito ao romantismo e ao maneirismo e a uma parte muito significativa do renascimento. É a ideia do poeta individualizado e divinizado (ou diabolizado). Ela, porém, não se propaga por nenhum influxo divino. Só precisa de...