Dupla transversal às mais diversas culturas vivas e abertas é a das relações entre norma e variação. Pensemos, por exemplo, nas línguas, mas também nas espécies animais, na genética, nas doutrinas, na moral e nos costumes, nos géneros e movimentos e escolas literárias. Um ponto nevrálgico na abordagem do tema é: quando é que uma variação passa a ser norma? Inseparável fica de outro ponto nevrálgico: por qual critério se deve decidir a substituição de uma norma? A relação parece-me simples, apesar das constantes polémicas em torno dela. Aliás as polémicas são muitas vezes resultado apenas de grupos de pressão que pretendem que se torne lei aquilo que preconizam. A norma é o poder, legitima o poder e o controlo sobre os outros, por isso os grupos com tendências hegemónicas procuram, constantemente, erigir os seus valores e as suas práticas internas. Mas o critério não é esse. Instituir uma norma por cedência a um grupo de pressão é convidar o caos a destruir o lar. As pessoas têm...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.