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A mostrar mensagens de janeiro, 2013

pega e leva - se

Um poema já antigo, de José da Silva Maia Ferreira, que por sua vez alude a outro do seu amigo João d'Aboim (do que falei variamente e sobretudo na Notícia da literatura angolana ), tem uma estrutura que foi muito popular nos álbuns de moças do século XIX: ao longo de todo o poema se vão descrevendo condições, em geral começando-se pela partícula se , ou qualquer outro recurso gramatical indicando que se vai referir uma condição. No final o poema diz o que faria o amante se aquelas condições estivessem preenchidas.  Mais de 100 anos depois, num poema de claro propósito contraditório e político, M. António troca o se pelo até e manifesta: Até se revoltarem os escravos. Até se rebentarem as comportas. Até sismos divinos, roncos cavos Da terra inquieta sob as pedras mortas  Sacudirem a nossa quietação. Até que luas doidas sobre o mar Sejam sinal da Alucinação. Até se extinguir a gentileza Que mais nos liberta, nos corrompe. Até sermos c...