DOÇURA Quando a fitei extasiado, suas mãos pálidas, mimosas, escolhiam frutas bem cheirosas num recanto calmo do mercado. E por mero acaso (eu sei!, senhora minha desconhecida, Ai! só por mero acaso…) vossos olhos belos, plácidos e meigos, negros, fulgurantes, sobre mim poisaram, - p’ra logo se afastarem Indiferentes, distantes… Ao compor na rede a gostosa fruta, um pouco vos baixastes e o decote largo do vestido azul afastou-se lento como onda branda de cansado mar… Sem indiscrição, vi maravilhado duas lindas dunas cor d’areia fulva… Depois, naturalmente, sorrindo leve, leve, pisando manso, manso, (ai, se eu fora as pedras duras do caminho) andando lentamente, seguiste vosso rumo, senhora, Minha Desconhecida… Nesse rosto mato mórbido, estranho, vi a cor suave duns certos poentes mágicos de Angola. Vossa boca em sangue (Oh! acácias rubras esplêndidas, ao sol!) vossos olhos fundos (Oh noites de Luanda, de estrelas ap...