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Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2022

A flor do bar de Tomás Vieira da Cruz

  Na introdução que escrevi para a edição da obra poética de vocação angolana de Tomás Vieira da Cruz ("poeta do amor e da África"), mencionava que "os seus primeiros poemas publicados em Angola, nos quais a referência africana é ainda escassa ou nula, seguem geralmente estruturas tradicionais portuguesas, como a da quadra popular." Em seguida faço uma nota e remeto para algumas referências, incluindo uma revista Desportine . Essa referência, metida no meio das outras, induzia em erro, levando leitores a pensar que se trataria de um poema (e, de facto, nessa publicação - como em Os Desportos , que se lhe seguiu logo - há poemas exemplificativos do que digo). Convém, portanto, esclarecer. A minha frase apontava (foco principal) as "estruturas tradicionais portuguesas, como a da quadra popular", mas também as peças nas "quais a referência africana é ainda escassa ou nula". Era a propósito da emergência de referências africanas, ainda escassas, qu...

Harpas eólias no Tombo de Cordeiro da Mata

No Novo almanach de lembranças para 1892 (p. 438) publica-se um poema, «Sob palmeiras», de J. D. Cordeiro da Mata. O poeta localiza-se no "Tombo - Margens do Quanza" (um pequeno porto, que servia para ligar e intermediar o comércio do interior com Dondo e Luanda). É um dos exemplares de uma curta série quase mística, se não mesmo mística, tendo o poeta passado nesses dias por alguma experiência interior importante. Lendo o poema se percebe o meu quase e o seu místico:  Como d'alma no intimo  eu t'amo, doce sombra!  Como o peito, de jubilo  pulsa – grato – n'alfombra!...  Oh! doce ar  que ao peito enfermo  de gosos ermo  vens vida dar;  deixa as harpas eólias os doces sons vibrar...  Que só de Eolo a musica  sabe o triste alegrar...  Oh! ar que passas célere  entre as franças arfando,  tu me deixas extactico  teus gemidos 'scutando...  Essa harmonia  angelical,  tem perennal,  p'renal poesia....