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Mensagens

A mostrar mensagens de agosto, 2011

Descoberta uma nova raça nos EUA em 1931

“O antropologo americano Edwin Embree acaba de surpreender os seus compatriotas com a descoberta de uma nova raça, que denominou americana-morena . Os elementos que contribuiram para ela são sangue de branco, de indio e de negro, devendo-se a sua iniciação a figuras distintas como Tomas Jefferson e Tyler .  Na América há 12 milhões de americano-morenos, estando-lhes reservado, segundo o professor Embree, o futuro da grande nação.  Isto é só para chocar a vaidade de certos apaixonados americanos de cabelos loiros…” ( Jornal de Benguela .  272 [23-12-1931] 1) ... Mas não só. E a colocação deste texto aqui, para além da leve ironia com que o fiz, excita várias reflexões. Em primeiro lugar a queixa subtil do articulista relativamente ao preconceito e cânone estético privilegiando os cabelos loiros. Em segundo lugar a reflexão sobre os motivos identitários do articulista ao transcrever a notícia. E daí me abalanço para as outras reflexões.  Em prime...

As casuarinas da Praia Morena

Pedro Vila Nova ( Pedro Severo d’Assunção Vila Nova, também advogado provisionário)  foi muito tempo secretário e chefe de secretaria da Câmara Municipal de Benguela. Não sei se nele se inspirou João Maria Vilanova, poeta da CPLP e, particularmente, de Vinte canções para Ximinha . João Maria, caso não seja pseudónimo,  pode mesmo ser filho, ou família, de Pedro Vila Nova, pois havia só uma família com este apelido por ali . Certo é que se espalharam por Benguela uma série de Vila Novas, incluindo D.ª Izabel Eunice (filha de Pedro) e António Duarte, o nosso protagonista de hoje.  Tenho dúvidas sobre o papel do patriarca Pedro Vila Nova na transição da Presidência legal da Câmara de Augusto Bastos para a Comissão nomeada arbitrariamente pelo Governador-geral da época. Acho que, a partir de certa altura, estava dissimuladamente do outro lado. Um parente chegado, não sei se filho, António Duarte Vila Nova, tendo-se formado como regente agrícola, foi nomeado responsável pel...

Revista USP - O estado da crítica: entrevista com Jonathan Culler

Muito interessante esta entrevista de Jonathan Culler a uma revista da USP: Revista USP - O estado da crítica: entrevista com Jonathan Culler Excerto: "e tem havido também um considerável retorno do interesse em conceitos como o conceito do Belo, que durante certo tempo chegou a ser também um tema expurgado do discurso crítico."

A entidade 'ocidental'

Há frases que já não tenho paciência para ouvir. Do tipo: "a partir da nossa perspetiva ocidental não será fácil entender o complexo fenómeno" ...de tudo o que julgamos não ser 'ocidental'. Santa paciência! Desconstruam-se sozinhos, porque "a nossa perspetiva ocidental", ou a deles, não é nada, é a visão deles de que essa visão é só deles e que, portanto, não conseguem ver nada além disso, embora vejam isto. 

Libros y Bitios

Blogue em espanhol, muito interessante para quem pretende manter-se atualizado no mundo da edição, da literatura e da cultura de hoje: Libros y Bitios  - segundo o próprio autor, "bibliografia, noticias y enlaces sobre edición digital y tradicional, lectura, escritura, libros"...

A peça do Largo

A 28 de Maio de 1935, inserida nas comemorações "do movimento revolucionario que estabeleceu a actual situação politica portuguesa", e para comemorar a "Campanha do Dombe", perpetuando "uma das paginas mais brilhantes da historia militar de Benguela", inaugurou-se a estátua do Largo da Peça. Por sinal, a dita peça está mesmo apontada na direção do Dombe Grande... A ideia tinha sido de Gastão Vinagre, o conhecido e polémico diretor de O intransigente , filho da elite colonial de então. O monumento foi concebido por Mimoso Moreira, sendo o largo "artisticamente ajardinado pelo nosso amigo Snr. Antonio Vila Nova", filho de Pedro Vila Nova, que foi muitos anos secretário da Câmara (atual Administração) Municipal de Benguela.  O intuito era assinalar o ponto de partida de tantas expedições e caravanas dirigidas ao interior e essa chamada "Campanha do Dombe", que não situei historicamente ainda mas pode ter sido a partir de 1845 ou 1848....

Rádio Clube de Benguela

A criação do Rádio Clube de Benguela galvanizou de forma geral os benguelenses e constituiu motivo de orgulho, até pelo pioneirismo da iniciativa. A primeira referência que li no Jornal de Benguela a tal iniciativa foi esta: RADIO CLUBE DE BENGUELA: Um grupo de senfilistas [sic] está tratando da organisação do Radio Clube de Benguela, para o que contam com a adesão de importantes elementos. Póde, de facto, este Clube prestar imensos serviços sob o ponto de vista cultural, motivo bastante para desejarmos que esta iniciativa obtenha pleno exito.

Cervejaria Guimarães em Benguela

O bar, ou cervejaria, Guimarães era um dos mais conhecidos de Benguela, até fechar. Ali se passaram histórias e estórias famosas, envolvendo figuras conhecidas da cidade, grandes boémios, grandes bebedores, grandes tudos e grandes nadas (e grandes tubos também). O Jornal de Benguela noticiou, em Novembro de 1933, a sua abertura. A inauguração deu-se a 18-11-1933. Era proprietário António Maria Guimarães, “antigo e devotado colono, cidadão que no nosso meio conta muitas simpatias”. Ficava na “Avenida do Tiro Civil” ( Jornal de Benguela . 47 [25-11-1933] 4). Segundo o sr. Joaquim Grilo, essa primeira cervejaria Guimarães ficava em frente à que a minha geração conheceu, ou seja, mais ou menos onde hoje está a Farmácia Nova (que se fez anunciar, acho que pela primeira vez, no Jornal de Benguela  de 1935, sob a firma Cipriano & Irmão).

O avô materno de Alda e Ernesto Lara filho

"Faleceu no fim do ano passado, na Certã, onde era muito estimado, o Senhor Joaquim Mateus dos Santos, pai estremecido da Senhora D. Adelina de Lara, esposa do nosso querido amigo Sr. Ernesto de Lara e do Sr. Ferreira Pires, marido da Senhora D. Noémia Pontes Ferreira Pires. A toda a família enlutada enviamos a expressão do nosso sincero pezar pelo grande desgosto que a atingiu".  ( Jornal de Benguela , 2-2-1935, p. 7).  Para além de mostrar o peso que tinha ainda este grupo familiar em Benguela nesse tempo, o anúncio dá-nos informações úteis. Entre elas nos explica de onde vem o apelido "Ferreira Pires", de Alda Ferreira Pires Barreto de Lara (Albuquerque por casamento), e o "Pires" de Ernesto Pires Barreto de Lara Filho.   Esta família Ferreira Pires, associada ao nome Pontes, reaparece numa local de 23-3-1935, p. 7 (n.º 129), que transcrevo: “Encontra-se em Benguela o considerado comerciante no Congo Belga Sr. J. M. S. Ferreira Pires, genro ...