Pedro Vila Nova (Pedro Severo d’Assunção Vila Nova, também advogado provisionário) foi muito tempo secretário e chefe de secretaria da Câmara Municipal de Benguela. Não sei se nele se inspirou João Maria Vilanova, poeta da CPLP e, particularmente, de Vinte canções para Ximinha. João Maria, caso não seja pseudónimo, pode mesmo ser filho, ou família, de Pedro Vila Nova, pois havia só uma família com este apelido por ali. Certo é que se espalharam por Benguela uma série de Vila Novas, incluindo D.ª Izabel Eunice (filha de Pedro) e António Duarte, o nosso protagonista de hoje.
Tenho dúvidas sobre o papel do patriarca Pedro Vila Nova na transição da Presidência legal da Câmara de Augusto Bastos para a Comissão nomeada arbitrariamente pelo Governador-geral da época. Acho que, a partir de certa altura, estava dissimuladamente do outro lado. Um parente chegado, não sei se filho, António Duarte Vila Nova, tendo-se formado como regente agrícola, foi nomeado responsável pelo jardim municipal - ou seja: jardineiro regenciado.
Ele deu um contributo significativo para a fisionomia atual da cidade. Foi o autor do desenho e ajardinamento do Largo da Peça, nos anos 30. Arborizou a maioria das ruas da cidade nos mesmos anos 30 e fim de 20. E também foi responsável pela colocação das casuarinas na Praia Morena - tão características que nem nos passa pela cabeça que foram lá postas por um projeto urbanístico.
Uma local do Jornal de Benguela aproveita para noticiar o facto e elogiar o arquiteto dos jardins de Benguela:
“O ilustre encarregado do Jardim Municipal, que ultimamente tem arborisado grande numero de ruas da cidade, acaba de encher de acasuarinas a avenida marginal, ao lado da praia, que ultimamente tem tido a nota alegre duma franca e saúdavel concorrência.
É êste mais um melhoramento que nos cumpre salientar pelo que representa, como embelezamento, para o local procurado.”
Jornal de Benguela. - n.º 267 (16-12-1931) 1.
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