Os padres, por via do ensino, deram um contributo fulcral para a prática da escrita e, mesmo, da escrita artística nas colónias em geral. Angola foi particularmente ilustrativa neste caso. Do magistério jesuíta veio o plano pioneiro de uma obra que, não sendo intrinsecamente literária, ficaria abrangida pelo que, por esse tempo, se convencionava chamar de ‘Belas Letras’. O projeto realizou-se na última década do século XVI. Surge indissociavelmente ligado a ele o nome do provincial eborense Pêro Rodrigues, fundador ou mentor do Colégio de Luanda. Vejamos um pouco da sua história, apenas o suficiente para percebermos que, em dado momento, ela converge para um projeto literário que se vai coroar na biografia de Anchieta, mas após a passagem por Angola e o plano de uma História da colónia. Entrou o Provincial na Companhia em 1556. O ensino de Letras Humanas por cinco anos, e o de Latim, que leu no Colégio de Braga (onde foi Reitor por sete anos) [1] , decerto contribuíram para ...