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Mensagens

A mostrar mensagens de 2020

Maia Ferreira - cidadão transatlântico

  FERREIRA, JOSÉ DA SILVA MAIA – O CIDADÃO TRANSATLÂNTICO   Francisco Soares [1]   RESUMO A biografia de José da Silva Maia Ferreira o torna um dos prógonos do cidadão global, tanto quanto o Atlântico foi, no seu século, uma antecipação da globalização de hoje. Poeta, não tendo nós acesso à sua eventual autobiografia, suscita-nos, por esse motivo também, uma breve biografia.

A direção diversa, Foucault

  Dmitri Levitin publicou uma  recensão  crítica inteligente, escrita em defesa da especialização científica, a partir do livro de Peter Burke Masters of none . Na  verdade, o que ele diz assegura mais a defesa do rigor e do conhecimento aprofundado das matérias, que exige muito tempo dedicado a um determinado assunto. Ele, porém, dá-nos a entender que se trata de especialização científica e que não se pode ser inter- ou multi-disciplinar sem prejuízo da exigência. A brevidade do texto não permitiu, possivelmente, que nos deixasse mais clara a sua posição.  O meu escopo não é, porém, esse. No final da recensão crítica ele resume de forma lapidar a hipótese teórica de Foucault:  According to this theory, knowledge is just another form of power and the history of knowledge is reducible to the history of power relations. Whatever one thinks of Foucault, there can be little question that the influence of a simplified version of this totalising idea has been dis...

João Maimona - um procedimento

  João Maimona (Angola) acaba de receber o Prémio Nacional de Cultura e Artes do seu país, agora que andava um pouco esquecido no ranço da crítica habitual e nas estantes das livrarias.  Nascido em 1955 em Quibocolo (município de Maquela do Zombo, província do Uíge) - mesmo ano de José Luís Mendonça e Nelson Pestana (Eduardo Bonavena) - o seu percurso biográfico foi diferente, sobretudo nos anos de primeira formação.  José Luís Mendonça, apesar de nascido no Golungo Alto, está mais ligado a Luanda, como também Bonavena, natural do Cazenga. João Maimona faz parte daquele grupo de crianças angolanas que, em função do exílio dos pais, cresceu e teve a formação inicial no vizinho Zaire a partir de 1961 (na então República do Congo, já sob domínio de Mobutu, hoje República Democrática do Congo). Estudou em Kinshasa Humanidades Científicas e ainda lá ingressou na Universidade (Ciências). Em 1976 regressou ao país natal e, em 1978, fixou residência no Huambo, onde se formou em M...

Escrita e literatura em Angola e Congo nos séculos XVI e XVII

Os padres, por via do ensino, deram um contributo fulcral para a prática da escrita e, mesmo, da escrita artística nas colónias em geral. Angola foi particularmente ilustrativa neste caso. Do magistério jesuíta veio o plano pioneiro de uma obra que, não sendo intrinsecamente literária, ficaria abrangida pelo que, por esse tempo, se convencionava chamar de ‘Belas Letras’. O projeto realizou-se na última década do século XVI. Surge indissociavelmente ligado a ele o nome do provin­cial eborense Pêro Rodrigues, fundador ou mentor do Colégio de Luanda. Vejamos um pouco da sua história, apenas o suficiente para perce­bermos que, em dado momento, ela converge para um projeto literário que se vai coroar na biografia de Anchieta, mas a­pós a passagem por Angola e o plano de uma História da colónia. Entrou o Provincial na Companhia em 1556. O ensino de Letras Humanas por cinco anos, e o de Latim, que leu no Colégio de Braga (onde foi Reitor por sete anos) [1] , decerto contri­buíram para ...