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A mostrar mensagens de janeiro, 2015

O diabo da Tasmânia e a unidade cultural bantu

Infelizmente, em países como Angola continua a ser preciso reafirmar uma verdade evidente: não se pode confundir, nem sequer em termos territoriais, o uso de traços culturais (por exemplo relacionados com a solução para o corpo depois da morte) com uma identidade linguística, como se língua e cultura - uma generalização de linguagem e pensamento - fossem uma só e a mesma 'coisa', ou processo, ou fenómeno. Portanto, como se o uso de uma língua implicasse o uso de uma cultura exclusiva dela e, no final, a identidade cultural de uma nação dependesse do uso dessa língua ou desse traço cultural, ignorando-se ainda que os processos identitários são dinâmicos.  Desta vez o apontamento occorreu-me ao ler o artigo de Xaverio Ballester, da Universidade de Valência, na revista Elea  (n.º 6, 2004, pp. 107-138), que pode ser lido e transferido aqui . O artigo intitula-se « Hablas Indoeuropeas y Anindoeuropeas en La Hispania Prerromana». Em determinado ponto o autor depara-se com o mesm...

... e, lá fora, os cães deixaram de ladrar?

Pontos de partida A publicação, em Luanda, de uma curta série de relatos de Ras Nguimba Ngola suscitou-me estas reflexões  (Angola, 2014) . O autor ainda não é considerado quando se fala em literatura angolana, mas isso mesmo constitui mais um desafio. Trata-se de um livro despretensioso, que reúne os relatos eróticos da vida de um jovem, desde a sua iniciação até à morte por ciúmes. O impulso erótico vai arrasando conceitos e preconceitos, ultrapassando barreiras, atravessando casais e virgens, panoramas mais e menos morais, mais e menos escondidos. Esse mesmo percurso é o da descoberta de que a moralidade, ou a vida religiosa, são válidas só quando resultam de uma vivência interior e que toda a vivência interior se realiza naturalmente. Gerais A literatura angolana, a exemplo de muitas outras ao redor dela (ou seja: no resto do mundo), é uma literatura feita em rede. Se queremos compreender a específica angolanidade literária e, simultaneamente, a literarieda...