Infelizmente, em países como Angola continua a ser preciso reafirmar uma verdade evidente: não se pode confundir, nem sequer em termos territoriais, o uso de traços culturais (por exemplo relacionados com a solução para o corpo depois da morte) com uma identidade linguística, como se língua e cultura - uma generalização de linguagem e pensamento - fossem uma só e a mesma 'coisa', ou processo, ou fenómeno. Portanto, como se o uso de uma língua implicasse o uso de uma cultura exclusiva dela e, no final, a identidade cultural de uma nação dependesse do uso dessa língua ou desse traço cultural, ignorando-se ainda que os processos identitários são dinâmicos. Desta vez o apontamento occorreu-me ao ler o artigo de Xaverio Ballester, da Universidade de Valência, na revista Elea (n.º 6, 2004, pp. 107-138), que pode ser lido e transferido aqui . O artigo intitula-se « Hablas Indoeuropeas y Anindoeuropeas en La Hispania Prerromana». Em determinado ponto o autor depara-se com o mesm...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.