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A mostrar mensagens de maio, 2013

O rio Balombo na relação e localização "da conquista de Benguella"

Na colectânea de documentos que Luciano Cordeiro reuniu - documentos relativos às primeiras décadas da colonização de Angola (v. mais abaixo, texto sobre a baía das Vacas) - encontra-se uma interessante e genuína «Relação da conquista de Benguella».  Infelizmente, as indicações geográficas são vagas, confusas, até porque o lugar era muito mal conhecido e as designações locais ainda menos.  O autor é anónimo. Percebe-se, no entanto, que estava com Manuel Cerveira Pereira nessa "conquista" e relata passo a passo o que se passou. A partida de Luanda foi a 11-4-1617, mas esses pormenores não me interessam agora para além da data, que nos situa no período das últimas chuvas.  A expedição tomou primeiro "o porto do morro de Benguella" onde se instalou por 3 dias, com 80 homens. Ora, Benguela tem morros lá ao fundo e, do outro lado do rio Cavaco, as colinas suaves de N.ª Sr.ª da Graça, por trás do vale, ainda breve, do Kapiandalo (Tchiapiandalu).  Não se referindo...

A Baía das Vacas e Benguela

Garcia Mendes de Castelo Branco, fidalgo português que veio para Angola no regresso de Paulo Dias de Novaes (1574-1575), esteve com Manuel Cerveira Pereira na expedição de 1603-1604 que veio a resultar na criação do presídio e forte de Cambambe.  O motivo da expedição tinha sido o cobre, um dos equívocos mais persistentes na formação e configuração da colónia de Angola durante os primeiros séculos. Já antes da fundação do forte e presídio de Benguela, Paulo Dias de Novaes o enviara em "uma galeota a descobrir a costa e a resgatar com o gentio d'ella, resgatei algum cobre que truxe [sic], pelo que o deve haver na dita conquista, e lá anda hoje o dito governador Manuel de Sirveira, até ao tempo que dali parti, que haverá anno e meio". Nesta altura, em que vai de "galeota" até ao cabo Negro, o nosso homem diz que em Benguela "ha muitas vacas em demazia, e todos por ali são vaqueiros e também está próximo de Benguella uma bahia que chamam das Vacas que fic...

Machado de Assis e a estética da receção

"Ninfa, doce amiga, fantasia inquieta e fértil, tu me salvaste de uma ruim peça com um sonho original, substituíste-me o tédio por um pesadelo: foi um bom negócio. Um bom negócio e uma grave lição: provaste-me ainda uma vez que o melhor drama está no espectador e não no palco"  (A chinela turca. - in: Papéis avulsos, ed. el., p. 80) Machado de Assis foi, sem dúvida, um escritor e intelectual extraordinário. Ficou famoso também pelas suas antecipações, entre as quais se destaca a arrasadora desmontagem da paranóia psicanalítica (então apenas a psicologia estaria em causa) feita em O alienista .  Num volume que também inclui esse quase conto fantástico, há uma outra narrativa de nítido escopo antecipador: A chinela turca . Antecipador por ser, também, quase um conto fantástico no seu final e pelo que diz respeito à Estética da Receção.  Digo também, e repito, porque o conto foi já analisado em função, mais uma vez e com toda a pertinência, das relações da obra de M...