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A mostrar mensagens de junho, 2015

José Luís Tavares: polindo a pedra

POLINDO A PEDRA NO PAÍS DOS HOMENS PACIENTES A erupção de José Luís Tavares na vulcânica e marítima paisagem da literatura cabo-verdiana vem se afirmando como uma das mais extraordinárias revelações da sua já longa história. Nascido em 1967 e começando a publicar com a primeira geração pós-independência, podemos dizer que ele resume, assume, transforma, transtorna e reestrutura a herança cultural e poética da qual sai um perfil propriamente cabo-verdiano e intrinsecamente universal. Ainda que o poeta não se repita de verso para verso, Coração de lava é também uma sinédoque de toda a lírica do autor, acrescentada pela convivência intensa e desdobrada com as excelentes fotografias de Duarte Belo. Intensa e desdobrada, mas não direta. Esta convivência carateriza-se por uma total independência entre a imagem visual e a imagem verbal. Melhor dito: ambas vão beber à mesma fonte, a da sintaxe das imagens, anterior ao pensamento, à palavra e à máquina fotográfica. Essa fonte de onde mana, com...