tem muito que se lhe diga. Penso que o livro pode ser visto como o testamento poético do autor, falecido no mesmo ano da publicação (Junqueira, 2014) . Reunindo poemas escritos entre 2009 e 2013, a sua composição parece dominada por critérios técnicos, formais, exceto em pouquíssimos poemas inseridos mais ou menos pelo meio do livro (não fui contar o número de páginas, isso não me parece importante para o caso). Os seus motivos e tópicos, em geral, estruturam-se em torno de uma verificação, de uma exímia e, paradoxalmente, sensível filtragem que não recusa nenhum estímulo (portanto: nenhum motivo), mas os examina. Os poemas são, muitas vezes, esse exame que, ou depura a visão e a presença, ou justifica e processa a renúncia. Em todo o livro, quer na montagem-desmontagem formal, quer na dos conteúdos, a ligação a uma cultura clássica, do filão euroamericano principalmente, apoia com seus intertextos os passos do escritor. Indo por partes, aqui pretendo ainda ...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.