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Mensagens

A mostrar mensagens de junho, 2012

Gadamer e o leitor virtual

Num ensaio de 1981 (« A voz e a linguagem »), incluído em  Arte y verdad de la palabra , Hans-Georg Gadamer afirma ser a literatura “verdadeiro escrever que «cria» algo para um leitor com quem já se conta ou para outro a quem há que seduzir” (p. 57). É uma perceção objetiva da realidade comunicacional da arte e de quanto ela condiciona a criatividade (sendo que, neste caso, o condicionamento a potencia). Sem dúvida muito mais interessante do que a ligação que, anteriormente, fizera com o conceito de « leitor ideal » e a armação teórica de Ingarden (p. 32, num texto datado de 1971). Olhando-a a partir do texto, “é a vizinhança, não disto ou daquilo, senão da possibilidade de tudo” que define e distingue a palavra poética – traço que se vê potenciado na ciberliteratura. Há uma íntima relação entre as duas afirmações: por se dirigir a um leitor “a quem há que seduzir” (e por ser esse leitor muito mais vasto e vago do que o de qualquer outro tipo de escritos) o escritor te...

Novíssima poesia peruana

O qualificativo novíssima é velhíssimo. Tirando isso, vale a pena ler esta antologia, que apanha poetas e poetisas nascidos(as) desde 1976 até ao fim dos anos 80.  Nota a reter: a desideologização da poesia em todos os sentidos (fim das escolas poéticas, poesia feminina para além do feminismo, poesia para além da ditadura da militância). Sobretudo, há mesmo bons poemas.  É só carregar na ligação e seguir para a novíssima poesia peruana .  Boa leitura!

Arte e efeito - J. S. Mill

Distinguindo entre Arte e Ciência, em particular as ciências sociais, o famoso economista J. S. Mill deixa uma conclusão no mínimo interessante: "A arte, cujo fim imediato é a prática, não tem relação alguma com as causas exceto enquanto meios de produzir efeitos".  Mas mais interessante ainda é o que diz a seguir:  "Por mais heterogéneas que sejam as causas, a arte conduz os efeitos de todas elas a uma única estimativa; e, dependendo se ela cai acima ou abaixo de uma certa linha, a Arte diz: faça-se isto, ou abstenha-se de fazê-lo."  Estas afirmações quase fecham um texto seu sobre a natureza da ciência económica. Elas foram preparadas por uma nota extensa e muito precisa colocada um pouco antes:  "O princípio de classificação na ciência segue mais convenientemente a classificação das causas , enquanto as artes devem necessariamente ser classificadas de acordo com a classificação dos efeitos , cuja produção é seu fim apropriado."  O econom...

Google, internet e conhecimento

Chad Wellmon, professor-assistente de estudos germânicos na Univ. da Virgínia, publicou na The hedgehog review  um lúcido artigo a propósito das polémicas criadas em torno da Internet e do Google.  A última terá partido de um artigo de N. Carr, intitulado «Is Google making us stupid?: what the internet is doing to our brains?» ( The Atlantic  (July–August 2008): < http://www.theatlantic.com/magazine/archive/2008/07/is-google-making-us-stupid/6868/ > ).  Chad Wellmon demonstra como tal tipo de questão está mal colocado e não conduz a nada. O mesmo para a visão utópica da Internet e do Google e outros motores de pesquisa e de enciclopédia. O que é mais interessante, porém, no seu artigo é a ligação que ele faz entre o desenvolvimento da Internet, do Google, da Wikipédia e a nossa maneira de lidar com a informação e o conhecimento. A partir de um breve historial ele nos mostra que o excesso de informação e publicação é uma queixa antiga e já inconsequente há...

The Library of Utopia - Technology Review

Os problemas com a construção de grandes bibliotecas universais, digitais e gratuitas vão, geralmente, além das tecnologias: são problemas morais, económicos e legais. A hiperligação que junto abaixo abre para um artigo que nos faz um bom ponto de situação sobre o assunto: The Library of Utopia - Technology Review :   'via Blog this'