Um belo dia, acompanhando um poeta que muitos de nós prezamos enquanto poeta, vi-o rabiscar num pedaço de papel. Ao sentir-se observado (na verdade, olhei por acaso para o lado), amachucou o papelinho na mão, por causa da pressa instintiva com que o guardou. Em seguida sorriu, com o sorriso típico da criança apanhada a fazer uma travessura, e explicou-se (sem que eu lhe tivesse perguntado alguma coisa): sabes, às vezes ouço coisas e leio coisas na rua que gosto, então guardo, depois junto-as e dá bons poemas. Não me espantou. Lembrei-me de alguém me ter contado que, no espólio de Fernando Pessoa , havia muitos papelinhos do mesmo tipo, escritos com canetas e tintas diferentes, onde havia versos, primeiro soltos, em outros (presumivelmente posteriores) já parcialmente agrupados, em outros quase os que líamos na Mensagem , ou em mais livros de poemas do famoso escritor e pensador português. Agora, que me estou a recordar disto, lembro-me também de uma vez o poeta A. M. Cou...