Em 1864, segundo Carlos
Pacheco, José da Silva Maia Ferreira deixa os EUA e regressa ao Brasil. Teria
abandonado o país durante o penúltimo ano da guerra civil, que terminou em
1865. Nesse ano (1864) ainda se alistaram soldados para a guerra e,
curiosamente, aparece nas listas um homónimo do nosso poeta, com uma descrição
coincidente em grande parte:
nascido em Portugal, ocupação mercador, olhos negros, cabelo negro, tez escura.
Alistou-se no
Brooklyn a 25 de Fevereiro desse ano, no 6.º Regimento de Cavalaria. Será que
regressou ao Brasil para fugir da guerra civil nos EUA? Depois de se ter
alistado?
O desfasamento vem pela
idade. Este José da S. M. Ferreira (nome com que está na ficha de alistamento),
não se lhe dá ano de nascimento mas diz-se que tem 35 anos. O nosso Maia
Ferreira nasceu a 7-6-1827. Mas uma diferença destas pode não ser muito
significativa para o caso, tanto mais que o registo no ancestry.com, de onde saquei as informações, indica nascido “cerca
de 1829”. Não há, portanto, certeza quanto à data de nascimento (nas fontes norte-americanas).
A data do regresso de Maia Ferreira também tem que ser alterada, pelo que é provavel que o nosso poeta tenha mesmo servido no exército dos EUA no último ano da Guerra Civil. A partida para o Brasil, segundo o Correio Mercantil, e Instructivo, Político e Universal, de 11-8-1865, J. da S. Maia Ferreira teria chegado a 8 ao porto do Rio, vindo de New York.
A data do regresso de Maia Ferreira também tem que ser alterada, pelo que é provavel que o nosso poeta tenha mesmo servido no exército dos EUA no último ano da Guerra Civil. A partida para o Brasil, segundo o Correio Mercantil, e Instructivo, Político e Universal, de 11-8-1865, J. da S. Maia Ferreira teria chegado a 8 ao porto do Rio, vindo de New York.
Não tenho, neste momento,
comigo os livros de Carlos Pacheco sobre o nosso poeta. No entanto vejo que há,
num período obscuro da sua vida, um homónimo que, com 9 anos, passa pelos EUA e
esse homónimo, na árvore genealógica de uma sua filha e da sua mulher no mesmo
sítio, é dado como o mesmo José da Silva Maia Ferreira casado com Margaret
Butler muitos anos mais tarde. Pode ser erro do descendente que tenta construir
a árvore genealógica – ou não...
Ambos (Margarida e José) teriam tido uma
filha, no entanto, nascida em 1866 – e isso é muito estranho.
É estranho porque "Maria
Leonora Ferreira" vem ao mundo a 4-11-1866 (teria o pai 39 anos) em Windsor Locks,
Conneticut e Carlos Pacheco assegura que Maia Ferreira partiu dos EUA em 1864.
Esta filha vem a casar-se com Frederick
Murless, nascido e criado no mesmo lugar, onde ainda morava em 1880.
Margaret
Butler, ainda segundo o mesmo arquivo, teria nascido no mesmo ano de Maia
Ferreira (1827) e morreu em 1885 em Rochester, Nova Iorque. Os seus pais
morreram em 1853 (pai, no Texas) e 1855 (mãe, em Nova Iorque).
Tudo
isto fica difícil de concertar. A única via que se me afigura é que Maia
Ferreira tenha partido mais tarde, confirmando-se a informação do Correio mercantil que acima avancei; ou que a sua mulher o tivesse acompanhado
até ao Rio e ficado lá algum tempo (visto ser órfã de pai e mãe), regressando
grávida aos EUA – e por algum motivo sem o marido, já em fase terminal da sua
tuberculose (mesentérica, ou seja: intestinal).
Mas
isto ainda não é tudo. As mesmas fontes, disponibilizadas neste endereço,
indicam-nos que “Joaquim Caesar Mattoso Maia Ferreira”, seguindo o obituário do
New York Times de 25-2-1860, morrera
em Peekskill (condado de Westchester, Nova Iorque).
O bairro ficava depois da
Broadway e de Buchanan e, em 1860, tornava-se uma zona industrial intensa. A morte
foi na 6.ª F.ª, 24 de Fevereiro.
A criança tinha 5 anos de idade, 10 meses e 14
dias (nascera, portanto, a 10 de Abril de 1854) e era filho de “José de S. M.”
e de “Margaret M. Ferreira”. O funeral estava marcado para 27, 2.ª F.ª, às 10h,
em Peekskill. O
anúncio repete-se a 27 de Fev.º indicando-se que era o “único filho” do casal.
A
biografia de Maia Ferreira continua a ter, portanto, muitas zonas obscuras e os arquivos norte-americanos continuam a ser fundamentais.
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