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Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2026

Arquigenética literária de Uanhenga Xitu

Não se escreve, nem se fala, nem se pensa no vazio. O vazio é uma ponte para outra margem, simbolizada no rio Letes pelos romanos. Do lado de lá não se fala. Deste lado do vazio, reescrevemos e redizemos em função de múltiplos fatores, entre os quais tudo aquilo que lemos. Portanto faz todo o sentido saber o que foi lido quando a personalidade se formava. Também faria sabermos o que foi falado, mas isso não ficou registado, só deixa sinais, alertas, aliás em parte na própria escrita, que é sempre uma ficção... Vejamos um pouco melhor. A nossa fala insere-se num fluxo contínuo que dá conta de mais enciclopédias que a nossa e as incorpora, é um vulcão, o fogo da fala como titulou Boaventura Cardoso. A voz são vozes, em um magma que as letras esfriam (quando não são trabalhadas como signos visuais). A leitura reacende o fogo pelas sugestões que levanta, pelas vozes que recorda, pelos pensamentos que desperta. Quando pensamos, destrinçamos os elementos fundidos para friamente os analisarmo...

África no mundo – livre das imposturas identitárias

África no mundo – livre das imposturas identitárias é a edição portuguesa [1] de um livro a sair proximamente no Brasil também, já ampliado e, em alguns pontos, pensado para a realidade quase continental desse país irmão (porque não havia de ser um país irmão?).   Jonuel Gonçalves, autor, é um veterano do jornalismo (nota-se no seu estilo) e da ação combativa no sentido, primeiro, da independência de Angola, e, depois, da democratização do país. Estudou em França, no Senegal, na África do Sul e no Brasil, viveu nesses países e em Portugal também, onde ainda exerce jornalismo (à distância) e pesquisou sobre países do hemisfério sul, principalmente em África e na América do Sul. A sua principal área de pesquisa é a económica, mas hoje percebemos ainda (por enquanto) que as áreas científicas não são estanques e, portanto, ele se debruça também sobre questões sociais, além de escrever romances e perceber, assim, os mecanismos literários em sua articulação com a realidade histórica,...

O cónego António Francisco das Necessidades e a 'província angolense'

  Texto apresentado ao Encontro « Exploring the Lusophone World through Transcultural Perspectives », sob o título A Memória de António Francisco das Necessidades: digitalização de fontes, contextos, propósitos. O Encontro realizou-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, promovido pela Lusophone Studies Association  com apoio do       Resumo É oportuno, no presente estágio das digital humanities , ou das humanidades digitais , aproveitar a problemática da digitalização de fontes para estudarmos a história da formação de uma literatura angolana, principalmente no que concerne às fontes locais. Neste ensaio rentabilizo as vantagens da digitalização de fontes estudando uma Memória , escrita pel o cónego António Francisco das Necessidades, hoje disponível em rede e em acesso aberto, mas até hoje ignorada pelos estudiosos da formação da cultura angolana, incluindo eu próprio. Trata-se da Memória sobre o estado religioso, administrativo e económi...