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A mostrar mensagens de julho, 2017

Data do regresso de Maia Ferreira a Luanda

O estudo da formação da literatura angolana é indissociável da consideração sobre a circulação cultural nas redes comerciais entre as quais se posicionava aquela pequena comunidade literária. Isso pede uma leitura ‘para dentro’ (conhecer as rotas de caravanas comerciais no interior, as oralidades em rotação no ‘interior’, que fizeram, por exemplo, chegar a lenda da mayombola a um funcionário colonial português em Luanda no meio do século XIX) e uma leitura ‘para fora’ (a circulação de livros de literatura entre os mais importantes portos do Oceano Atlântico – destacando-se, para o nosso caso, os lusófonos, mas não exclusivamente). Neste contexto, figuras como a de José da Silva Maia Ferreira são cada vez mais importantes. Em primeiro lugar pela sua própria poesia, confluência de várias outras, com destaque para a brasileira, a portuguesa e a francesa; em segundo lugar porque ele circulou por essas rotas atlânticas mais batidas pelo comércio da época. Infelizmente, o estudo da...

O que ficou para trás, ou atrasado - nós todos também

1. Universais privados A morte é o que mais cria repulsa em nós. É compreensível. O nosso ego, a nossa personalidade, a nossa identidade pessoal e social, resultam da criação de uma consciência do nosso corpo como entidade própria em relação com outras, idênticas ou não. O cérebro tem, entre outras, a missão de recolher as informações facultadas pelo corpo que integra e, em função delas, tomar decisões. Todas as decisões e essa própria função do cérebro nos remetem para o que, metaforicamente, chamaríamos instinto de sobrevivência. Resumindo: criámos e desenvolvemos um cérebro para melhor assegurarmos a sobrevivência do nosso organismo como um todo, num esforço adaptativo natural mesmo quando e se assistido por algo ou alguém sobrenatural. Para cumprir a função, o cérebro tomou consciência de si e do corpo em que está, aliás uma consciência indissociável. Por isso, quando o organismo se sente ameaçado, o cérebro declara estado de sítio. Ora a morte é o desaparecimento desse o...