Seja por influência do Concretismo (mais recuadamente do Modernismo), seja por uma evolução geral da cultura, um dos desenvolvimentos da lírica em verso no século XX, dos mais notórios e sobretudo a partir dos anos 50, prende-se com a exploração de ritmos sobrepostos. Até então a mancha gráfica dos versos era corrida, correspondendo a uma unidade métrica e rítmica. Essa unidade, conforme as escolas e os gostos dos autores, podia coincidir com uma unidade lógico-sintática ou não - caso em que se dava o transporte do sentido de um para outro verso, vulgarmente conhecido por enjambement . Neste último caso já se sobrepunham dois ritmos: o da leitura 'lógica' e o da leitura rítmica. O século XX veio acrescentar mais um nível ao complexo de sobreposições que é também a lírica em verso. É o ritmo visual, da leitura gráfica. Os versos indicados como tal graficamente já não correspondem, necessariamente, a uma unidade rítmica, essa é apanhada pela leitura sonora, interior ...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.