Um poema cujo título é, sintomaticamente, uma dedicatória (« À minha terra »), de José da Silva Maia Ferreira, parece-me que não tem sido levado em devida conta nas análises da obra deste nosso poeta. Proponho uma leitura atenta para o compreendermos e podermos desfrutar de um texto que, à primeira leitura, é pouco interessante. Os críticos que se dedicam à leitura de Maia Ferreira fazem-no geralmente muito orientados por questões identitárias, sem dúvida legítimas, mas esquecendo os aspetos propriamente artísticos dos poemas. Entretanto, mesmo para debater a identidade pessoal de Maia Ferreira, este poema, cujo título é quase homónimo do segundo do livro (o que se costuma comentar), constitui pedra basilar. Vejamos primeiro os para-textos que, na página, envolvem os versos. O título, como disse, é uma dedicatória (e pode integrar-se no poema não sendo considerado para-texto). Um subtítulo esclarece, como era hábito na época e antes dela, o contexto no qual devemos imaginar ...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.