Levitin, no livro já citado A música no seu cérebro , fala com toda a propriedade do caso de Joni Mitchell. O que mais lhe (e nos) interessa é a composição de acordes ambíguos. Transcrevo com a extensão necessária: Como Joni não estudara teoria musical nem sabia ler música, não tinha como informar-lhes [aos bateristas que tocavam com ela] qual era a tónica, e precisava dizer quais notas estava tocando na guitarra, uma a uma, para que fossem descobrindo por si mesmos, laboriosamente, cada um dos acordes. Mas é aqui que a psicoacústica e a teoria musical colidem numa explosiva conflagração: os acordes habitualmente usados pela maioria dos compositores – dó maior, mi bemol menor e assim por diante – são inequívocos. Nenhum músico competente precisaria perguntar qual a tónica de um acorde como esses; é óbvio, havendo apenas uma possibilidade. A genialidade de Joni está em criar acordes ambíguos, que poderiam ter duas ou mais tónicas. Quando não há um baixo sendo tocado junto com sua g...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.