Na secção «Cultura» do jornal português Público , de hoje (21-1-2018), Luís Miguel Queirós realiza uma oportuna entrevista com Georg Friedrich Haas , "compositor em residência na Casa da Música em 2018". A entrevista é oportuna por vários motivos. Um deles, ao qual talvez não se dê qualquer importância (por estarmos em registo jornalístico), prende-se com esta passagem: [Haas vinha determinado] a defender o seu modo de compor, mais preocupado em servir o ouvido humano do que em fornecer pasto para análises estruturais das partituras. Percebo o que ele quer dizer e concordo que essa é a postura própria de um compositor: criar para o ouvido. Humano. O que me suscita este comentário é a expressão " análises estruturais ". Ela parece ter por referência modelos apoéticos e desinteressantes próprios da vulgarização do estruturalismo francês, ou francófono, dos anos 60 e 70. Esse estruturalismo, vulgarizado, não dissecou, secou...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.