Em tempos hoje recuados, Luandino Vieira chamava de “estórias” as suas narrativas. Ele talvez se inspirasse na diferença entre story e history , mas a sua atitude tinha um antecendente, nesse tempo ainda próximo. Em Cabo Verde, António Aurélio Gonçalves, por alguns considerado o maior, ou um dos maiores contistas africanos, chamava as suas narrativas de “noveletas”. Nem contos, nem novelas, portanto, mas “noveletas”. As designações dão sinal da clara desadequação entre as divisões clássicas dos géneros literários europeus, as divisões tradicionais dos géneros das oraturas, e a produção contemporânea escrita, que se coloca nem numa nem na outra dessas ‘divisões’ com seus generais e suas marchas militares. As aproximações à linguagem quotidiana e citadina tiveram mais relação com isso do que se pensa quando se nota que o facto não costuma ser referido nesse contexto. Por outro lado, a nossa focagem desse processo fica desfocada por uma crítica fixada no princípio de que...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.