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Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2021

Falas e contações - apontamento genológico

  Em tempos hoje recuados, Luandino Vieira chamava de “estórias” as suas narrativas. Ele talvez se inspirasse na diferença entre story e history , mas a sua atitude tinha um antecendente, nesse tempo ainda próximo. Em Cabo Verde, António Aurélio Gonçalves, por alguns considerado o maior, ou um dos maiores contistas africanos, chamava as suas narrativas de “noveletas”. Nem contos, nem novelas, portanto, mas “noveletas”.   As designações dão sinal da clara desadequação entre as divisões clássicas dos géneros literários europeus, as divisões tradicionais dos géneros das oraturas, e a produção contemporânea escrita, que se coloca nem numa nem na outra dessas ‘divisões’ com seus generais e suas marchas militares. As aproximações à linguagem quotidiana e citadina tiveram mais relação com isso do que se pensa quando se nota que o facto não costuma ser referido nesse contexto. Por outro lado, a nossa focagem desse processo fica desfocada por uma crítica fixada no princípio de que...

Antologias no século XXI: para quê? para quem? Sessão no CITCEM da Fac. de Letras da Univ. do Porto

Com que sentido, propósito e contexto em vista os antologiadores antologiam? Quais as motivações? Após a publicação, que reflexões suscitam comentários e análises? Qual o tipo de cobertura que se pretendia com cada antologia?  Estas questões nos orientaram na Oficina de investigação científica   do CITCEM (Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória ) da Fac. de Letras da Univ. do Porto, a convite do Prof. Francisco Topa. A reprodução das falas: Participação angolana: Abreu Paxe, Carlos Ferreira, Francisco Soares (por ordem alfabética)

Apontamento sobre a pregação de D.ª Beatriz Kimpa Vita

  (retrato de D.ª Beatriz extraído ao relatório de Bernardo da Gallo. V.  L. Jadin, « Le Congo et la secte des Antoniens », in  Bull, de l’Inst. Hist. Belge de Rome,  fasc. XXXIII (1961). Foto reproduzida em  https://www.ufrgs.br/africanas/beatriz-kimpa-vita-1684-1706/ )   Em várias passagens referi já o caso de D.ª Beatriz Kimpa Vita, figura precoce extraordinária e que terá gozado de dotes oratórios invulgares. O que nos pode interessar, numa abordagem das zonas de sombra da formação de uma comunidade literária e de suas margens, é o que deriva da sua colocação, do seu lugar entre a cultura escrita do Livro (ou seja, da Bíblia , que circulava, por fragmentos e interpretações-traduções, na oralidade), e uma tessitura de oralidade e de iconicidade na qual se cruzavam referências bíblicas, do cristianismo europeu, com o sistema de crenças, de ritos e de valores do antigo reino do Kongo (Congo), já de si uma plataforma de ascendências várias (as loc...