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Como estudar a formação de uma literatura - a angolana, no caso -

estabelecer fronteiras e datas e identidade fixa, ou compreender e conhecer como se foram formando textos, leituras, comunidades e, depois, sistemas literários nos vários países? Ou seja: por uma leitura identitária, militante, marcada, ou por uma leitura do processo de crioulização no qual as literaturas se vão formando a partir de contributos vários? COMO ESTUDAR A FORMAÇÃO DE UMA LITERATURA - A ANGOLANA, NO CASO https://www.youtube.com/embed/TW-YEOfRgnU Na sequência desse vídeo, tiram-se várias conclusões. A principal é a de que não se pode estudar uma literatura sem a perceber em diálogo, tenso e contraditório, com as outras. É claro que uma literatura própria tem continuidades próprias, aliás constantemente chamo a atenção para isso. São mesmo estas continuidades que entram em diálogo e se renovam conversando ou confrontando outras.  No caso da Literatura Angolana, houve outra literatura incrustrada no seu território, no território no qual a respetiva comunidade de autores e d...

Data do regresso de Maia Ferreira a Luanda

O estudo da formação da literatura angolana é indissociável da consideração sobre a circulação cultural nas redes comerciais entre as quais se posicionava aquela pequena comunidade literária. Isso pede uma leitura ‘para dentro’ (conhecer as rotas de caravanas comerciais no interior, as oralidades em rotação no ‘interior’, que fizeram, por exemplo, chegar a lenda da mayombola a um funcionário colonial português em Luanda no meio do século XIX) e uma leitura ‘para fora’ (a circulação de livros de literatura entre os mais importantes portos do Oceano Atlântico – destacando-se, para o nosso caso, os lusófonos, mas não exclusivamente). Neste contexto, figuras como a de José da Silva Maia Ferreira são cada vez mais importantes. Em primeiro lugar pela sua própria poesia, confluência de várias outras, com destaque para a brasileira, a portuguesa e a francesa; em segundo lugar porque ele circulou por essas rotas atlânticas mais batidas pelo comércio da época. Infelizmente, o estudo da...

Chiwale, o comandante exemplar

Instigante, sem dúvida, a leitura do livro Cruzei-me com a História , de Samuel Chiwale.  Com uma frontalidade extraordinária assume toda a sua carreira, as suas convicções e mesmo os erros da UNITA e desmascara, assim, muita maledicência.  Ficamos com mais uma imagem da História recente de Angola e acredito que esta seja das mais próximas da realidade que um autor presenciou. Não cai, também, no que me pareceu o ponto fraco do livro-testemunho do seu companheiro Alcides Sakala, que é o de terminar sublimando o que de facto foi uma derrota com uma afirmação quase de vitória.  O livro de Sakala é muito bem escrito e é, também, um testemunho muito vivo e frontal, pelo que estranhamos esse final - mas eu nunca estive na situação em que ele estava quando foi negociar aquilo que foi uma rendição, honrosa sem dúvida e acautelando ainda assim, em muito, a dignidade e liberdade do povo da UNITA e da sua elite. Se me visse nesse estado e continuasse vivo não sei o ...