Nota preliminar Quando pesquisava sobre poetas angolanos do século XIX nos Anais Marítimos e Coloniais , editados pela Associação homônima portuguesa, dei com a transcrição integral de uma crônica onde o pombeiro Pedro João Batista relatava a travessia, por terra, de Angola para Moçambique, mais precisamente do Mucari (quase Malanje) para Tete [1] . Era a primeira para o conhecimento europeu, promovida por autoridades coloniais. No entanto, o documento foi escrito em um português coloquial distante em relação ao que supomos terem sido as normas da época em Portugal. As variantes serão valorizadas posteriormente por práticas literárias como a de Luandino Vieira, que tomaria o português de musseque como modelo. Quais são as constantes desse português coloquial e a que falantes podemos associá-las? Descrição e ordenação do documento A pp. 162 do nº 5, de 1843, dos Anais Marítimos e Coloniais , inicia-se a transcrição do relato da viagem, sob o título «Explorações ...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.