Tom Chatfield é um homem de vários ofícios: designer (desenhador?) e consultor para jogos de vídeo, ensaísta e crítico particularmente atento à teorização dos jogos de vídeo (v. Fun Inc. UK ; USA: Virgin ; Pegasus), conferencista (principais temas: tecnologia, mídia e jogos), editor da secção de «Artes e livros» da revista Prospect (com edição em suporte papel e digital). Foi também professor universitário, doutorado e especializado em literatura inglesa contemporânea.
Na revista que edita publicou um artigo que, não trazendo propriamente nada de novo no que diz respeito às relações entre novas tecnologias e literatura, mostra como (sobretudo) a narrativa se transforma em todos os aspetos na sua relação com o mundo digital em rede e avança dados interessantes. Por exemplo que na Amazon, em Julho deste ano, a venda de livros eletrónicos superou, pela primeira vez, a venda de livros em suporte papel – ao fenómeno não terá sido estranho o desenvolvimento de programas de leitura cada vez mais sofisticados e agradáveis, mas principalmente o aparecimento do Ipad (Apple) que está, neste momento, a vender um milhão de cópias ao mês.
Ele nos dá conta, igualmente, de como uma série de 'contadores de estórias', campeões de venda no mundo anglófono (em papel), estão a despertar para o incontornável crescimento da leitura em rede e suas consequências. É um sinal muito forte de que a revolução digital, não só chegou para ficar como se desenvolve a um ritmo cada vez mais rápido. Tornando-se incontornável, nenhum candidato a escritor e nenhum teórico da literatura poderá ignorar um fenómeno que atinge a arte literária no seu cerne material e social e nas estruturas de receção e produção que fazem dela um novo sistema comunicativo específico.
A multiplicidade de questões a colocar à teoria literária assusta. Quando é assim, o melhor é começar por uma; por exemplo esta, fundamental, que, em outros momentos, eu já referi: a da autoria, não como Foucault falou dela (mas também sem o contradizer). Um campeão das vendas em papel, o consagrado romancista e novelista norteamericano Don DeLillo (20-11-1936), recebendo o prémio PEN/Saul Bellow, colocou o problema num dos aspetos incontornáveis que a nova teoria da literatura tem de abordar e que os estudiosos da literatura cibernética já conhecem. Alvitra DeLillo que as narrativas passaram a ser geradas pelos próprios leitores – naturalmente a partir de material outorgado por um autor que é, no entanto, contador de estórias, informático, designer, quero dizer, um autor coletivo.
Sendo, no entanto, assim, cai por terra o último pilar da construção típica da teoria literária anterior: um texto fixo, imutável. A 'natureza' do texto passará a ser multímoda e a sua única parte fixa é a programação informática da interação com os leitores. O que já sucede com as novas formas líricas e também com os … 'videogames'.
Leia o artigo de Tom Chatfield em http://www.prospectmagazine.co.uk/2010/10/books-electronic-publishing/.
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