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Eleições nas Honduras


A militância apressada dos jornalistas de serviço espreme-se toda para apresentar, logo nos títulos, uma visão distorcida das eleições nas Honduras. Daí sub-títulos associados a 'eleições nas Honduras', do tipo 'para sair da crise', '5 meses após o golpe', como se as eleições fossem o resultado da superação do golpe ou coisa parecida – e, portanto, uma vitória do apoio internacional a Zelaya. Pelo contrário, estas são as eleições previstas constitucionalmente e desde o início do mandato de Zelaya. A tentativa do ex-presidente de se perpetuar no poder, contra o determinado pela Constituição, é que punha em risco ou mudava radicalmente o caráter destas eleições, acompanhando-as de um referendo que permitisse a Manuel Zelaya recandidatar-se e re-eleger-se (por prudência, a Constituição hondurenha não permite que o presidente em exercício se recandidate).

Portanto os chamados 'golpistas' cumpriram realmente com o que disseram: eles afastaram Zelaya para salvaguardar a democracia e a Constituição. Organizaram eleições livres (um dos candidatos é apoiante declarado de Zelaya e defende o seu regresso ao poder) e no prazo previsto, não impondo nenhum candidato. Zelaya apostou na abstenção, porém ele foi eleito com 55% de votantes e esta eleição teve 62% de votantes: o povo hondurenho, de todos os partidos, deu-lhe a lição que faltava ainda - a ele e, por arrastamento, ao Brasil, que precisa agora descalçar a bota da embaixada onde abrigou um ditador encapotado. Lula diz agora que não reconhece as eleições, mais os seus apaniguados latino-americanos, mas não têm nenhuma razão para isso e já não usufruem do benefício da dúvida: esta eleição desmascarou-os. Um exemplo também para Chavez (que impôs à Venezuela a sua perpetuação no poder e uma educação socialista à revelia dos referendos que o derrotaram). Para ele e seus aliados, no Equador e na Bolívia. E uma lição para jornalistas levianos que pensam que alinhando no politicamente correto e fazendo campanha à esquerda não correm o risco de ser acusados de nada.

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