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silenciosas mães


As mães e as máscaras, é muito comum na literatura masculina angolana subscreverem um espaço de silêncio - mesmo e ainda quando simbolicamente se aproximam do sagrado. 




Isso permite-nos perceber aproximações e contrastes. 


Alda Lara, por exemplo, canta explicitamente a mãe-negra. Como era de uso na época (ela foi das primeiras, no entanto, a fazê-lo em Angola) mãe-negra simbolizava ali a própria África negra, sua sabedoria, esquecida já pelos meninos que ela ensinou e ao abrigo de quem eles cresceram. Aqui a mãe quase a visualizamos.


Se relermos A boneca de Quilengues de Arnaldo Santos, não é isso que vemos. A mãe é uma ausência, fala pelo silêncio que deixa no livro - o silêncio da boneca. 


Se relermos Pepetela vemos o mesmo que na lírica de Alda Lara. Em Lueji - que não foi propriamente maternal - a rainha e a bailarina são personagens vivas, que também quase visualizamos; porém, não se passa já isso em Yaka. O silêncio irónico de Yaka assemelha-se ao silêncio, por vezes irónico, das nossas mães. 


O mesmo sucedeu com Óscar Ribas. Relendo a sua autobiografia (Tudo isto aconteceu) a figura da mãe é também a de uma presença constantemente marcada pela ausência de referências textuais. É como a noite: quando aparece é marcante, incontornável; mas em geral está presente por ausência. 


Os seus aparecimentos são fugazes, raramente ocupando o centro do palco. No entanto percebe-se que ela é a placenta sobre a qual assenta o equilíbrio psicológico das personagens. É por isso que, ao adoecer com perigo de morrer, o abalo sofrido pelos irmãos (e particularmente pelo autor) é dos maiores, se não mesmo o maior.


Não podemos, portanto, afirmar que esta ausência significa desprezo, desconsideração, egoísmo machista ou qualquer outra consideração do mesmo tipo. Ela tem um significado mais profundo, que só um estudo sistemático das funções semióticas da imagem materna pode ressaltar. Um significado, uma implicação, que estará nos antípodas do retrato meio-realista meio-satírico e meio-mítico que faz habitualmente Manuel Rui destas mães - em geral sábias, mas pouco silenciosas. 



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