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Quantas foram as aventuras policiais do reporter Zimbro?



Sabemos pelos biógrafos da publicação, por Augusto Bastos, destas Aventuras. Pouco mais. 


Pesquisando no Jornal de Benguela encontrei duas aventuras, publicadas em 1931 e 1932: A máscara azul e O sinal da morte.





O jornal e o novelista consideravam tratar-se de dois episódios, mas o termo não corresponde ao que hoje cunhamos com ele. Trata-se de duas estórias independentes uma da outra, mantendo-se, de relevante, o palco ou cenário (a cidade de Benguela) e as duas personagens principais: o reporter e detective amador Zimbro; o seu ajudante Manuel da Silva. 



Digitalizei todo o segundo 'episódio', que estou a preparar para ir colocando no blogue. Faltam-lhe, no Jornal, quatro partes (cada peça publicada incluía geralmente dois pedaços de dois capítulos, acabando o anterior e começando o próximo - para manter a atenção do leitor bem presa). Por isso não direi que faltam 4 capítulos, mas sim 4 partes.


Digitalizei já grande parte do primeiro 'episódio' mas faltam mais partes desse no Jornal, segundo me pareceu, sendo a sua publicação menos regular. 


Num dos números de 1932, o 20.º (de 26-1-1932) na p. 2, o jornalista, ou o diretor, anuncia:


Aventuras policiais do reporter Zimbro  
O nosso presado amigo Augusto Bastos, que publicou, em folhetins, neste jornal, duas novelas policiais da sua autoria, resolveu mandar imprimir, em folhetos, a sua continuação.

O primeiro fasciculo, que acaba de ser publicado, intitula-se O Misterio dos dedos sangrentos, e constitui um dos mais notaveis trabalhos do afamado reporter Zimbro, que a fertil imaginação de Augusto Bastos criou e soube tornar imorredoiro.

A capa do interessante trabalho do nosso novelista policial vem animada com a figura insinuante do afamado reporter – detective – figura que se ajusta perfeitamente á ideia que dele se pode conceber, atravez a sua descrição, nas paginas animadas das suas novelas.

O Misterio dos dedos sangrentos encontra-se á venda na Papelaria de M. de Mesquita, onde se recebem pedidos.

M. de Mesquita era o fundador e principal proprietário do Jornal de Benguela, durante vários anos seu diretor e negociante muito ativo naqueles anos. Era muito provavelmente maçom, tal como Augusto Bastos. Estiveram, em alguns momentos, afastados politicamente, mas sempre se reaproximaram. Quando mais afastados estiveram foi por ocasião dos acontecimentos de 1917. Após as revoltas do Seles e de Amboim os colonos andavam nervosos e atiçados. Em Benguela, no mês de Junho, a partir de indícios insuficientes, manifestaram-se numa noite organizando-se contra o que supunham estar a preparar-se: uma revolta nativista e um movimento de mata-brancos. Augusto Bastos, nos números do Jornal de Benguela publicados em Junho - e que fazem referência positiva à reação dos colonos - não é citado. No entanto foi preso e acusado de ligações à inventona (tudo indica que o fosse) nativista. M. de Mesquita (que não era o conhecido 'Mesquita Kodak') foi dos que desde cedo encabeçou tal reação e se viu acusado, com os outros, de querer apenas protagonismo político - do que se defende nas páginas do Jornal. O governador provincial da época, segundo os colonos, não queria reagir nem prender ninguém, pois não achava que houvesse indícios suficientes de uma revolta real. Augusto Bastos veio a fazer parte do grupo que defendia a continuação do governador à frente dos destinos da província de Benguela, enquanto M. de Mesquita e o Jornal insinuavam (ou mesmo defendia explicitamente) que ele devia partir. 


Como se mostra pela posterior publicação das Aventuras de Zimbro, os dois terão voltado a ser bons amigos e a novela do nosso escritor saiu nas páginas do Jornal de Benguela antes de sair em livro.


Nos restantes números de 1932 não deparei com mais referências à obra, pelo que deduzo que se tenha vendido toda rapidamente. É natural, uma vez que há referências no próprio Jornal ao interesse que produziram as duas novelas ali publicadas. 


Mas o título, O mistério dos dedos sangrentos, não coincide com nenhuma das novelas publicadas no Jornal. Daí se conclui que deve tratar-se de uma terceira aventura do nosso reporter. 


Pode-se, ainda, aventar a hipótese de Augusto Bastos ter publicado em fascículos as obras (eu já li todos os números de 1933 e de 1935 sem encontrar qualquer outra referência), ou só ter publicado esse fascículo. O facto é que, talvez pela rápida venda (e previsível número reduzido de exemplares) e pelo tipo de leitores (interessados no sensacionalismo, no localismo, pouco motivados literariamente) os exemplares escassearam logo e até hoje ainda não se tornou público nenhum. Tenho procurado em bibliotecas portuguesas e angolanas sem ter encontrado nenhum. 


As primeiras novelas policiais angolanas tornaram-se, assim, elas próprias, um mistério a desvendar por algum detective amador.

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