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Os Laras e a Fazenda Aurora



Os irmãos Lúcio e Abel Gouvêa Barreto de Lara constituíram, com mais algum sócio (Manuel da Costa Santos, de "Mossamedes"), a 5-2-1919, uma sociedade (Joaquim Rodrigues Gouvêa, Sucessores) para exploração ("agrícola e industrial") da Fazenda Aurora por 5 anos. A fazenda situava-se em "Tchingila, Bailundo", era de uma grande extensão e desenvolveu-se bastante. Isto se percebe através de anúncios e cópias de constituição da empresa publicadas no Jornal de Benguela.



Sendo estes Laras também "Gouvêa" é de supor que herdassem de "Joaquim Rodrigues Gouvêa" alguns bens. Ou seria por aí que tinham vindo para Angola os irmãos Lara?


Com efeito, na biografia de Lúcio Lara lançada pela Associação «Tchiweka», podemos ler: "seu pai, Lúcio Gouveia Barreto de Lara, português, chegara a Angola em 1905 com dezasseis anos, instalando-se na região do Bailundo junto de um tio, Joaquim Rodrigues Gouveia, que ali vivia desde os anos finais do século dezanove."


A história da «Fazenda Aurora» está resumida na biografia mas, embora abrangendo um arco temporal maior, apresenta-nos dados que não batem certo com estes anúncios do Jornal de Benguela, onde os Lara eram pessoas conhecidas e respeitadas. Afirma-se na biografia que "com o tio e os irmãos Abel e Álvaro constituíram, próximo do Mungo, a fazenda “Aurora” que em 1933, por dificuldades financeiras, passou para o Banco Nacional Ultramarino." Logicamente, como a biografia de Lúcio Lara não se destina a biografar a Fazenda Aurora, as lacunas são inevitáveis. Pelo que vemos aqui, a constituição da nova sociedade para explorar a Fazenda, em 1919, foi feita com este sócio do Namibe e o velho tio já teria morrido. Parece, por tanto, que esses dois irmãos (Abel e Lúcio, não há referências a Álvaro nem a Ernesto) herdaram a fazenda e tentaram rentabilizá-la com algum sócio que lhes trazia mais vantagens. É de notar que antes, em 1916, há referência no mesmo Jornal de Benguela a visitas de Abel Gouvêa Barreto de Lara a Benguela (visitas rápidas, que não chegavam a durar uma semana). Note-se ainda que Abel era o representante do Jornal de Benguela em "Vila Nova" em 1920 (esta localidade só será desmembrada do Huambo, erigindo-se em Concelho, em 1960 - segundo os dados da página da cidade do Huambo na Internet). 

No mesmo ano de 1920, a 24 de Abril, decidiram desfazer-se das suas quotas na sociedade constituída em 1919. Abel assina já com a mulher, D.ª Alda, e Lúcio por via de um procurador (António Rodrigues Seabra), pois se encontrava em Portugal ainda (v. mais abaixo). O casal recebeu 70 mil escudos pela sua parte e Lúcio 50 mil. A venda fica justificada só porque deixou de lhes interessar essa exploração, não se explica mais nada (pelos vistos devem ter retomado o controlo da Fazenda ainda antes de 1933, quando ela foi entregue ao BNU).

Um dos novos sócios era Thomaz de Lima Coelho (para quem não saiba, o 'meu amor da rua onze' chama-se Esperança de Lima Coelho de Vilhena).

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