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Os Laras - antecedentes


No dia 17 realizou-se o casamento da exma. sra. D. Alda da Silva Filipe, gentil filha do sr. Augusto Filipe, com o sr. Abel Gouvêa Barreto de Lara, importante comerciante e agricultor no Bailundo. 


O casamento foi deslumbrante, segundo o repórter, que descreve com minúcia os detalhes da mesa, da alimentação, falando igualmente nos padrinhos e nas pessoas que estiveram presentes. 

A 30 de Abril de 1920 a nova família seguia para o interior. 

Uns dias depois, no suplemento de anúncios, aparece este: 


DESPEDIDA 
Lucio Gouvêa Barreto de Lara (o pai de Lúcio Lara), retirando se temporariamente para a Metrópole no Portugal, e não lhe sendo possível despedir-se dos seus amigos e pessoas das suas relações, fá-lo por êste meio, oferecendo os seus préstimos em Viana do Castelo – R. da Bandeira n.º 52. 
Como seu procurador, deixa o sr. Ernesto G. Barreto de Lara a quem se devem dirigir para qualquer assunto referente á sua pessoa.

Ernesto, Lúcio e Alda: os nomes estavam formados para filhos e sobrinhos. 

Estes dados saíram de alguns números do Jornal de Benguela de 1920, cuja coleção (incompleta e dispersa por vários 'cadernos') se encontra ainda espalhada pelas prateleiras inferiores de algumas das estantes-armários da Biblioteca da Administração Municipal de Benguela. 

Segundo Inácio Rebelo de Andrade (http://huambino.blogs.sapo.pt/136292.html), D.ª Alda era professora (exigente) de piano (curiosamente, Adolfo Pina, que também foi jornalista em Benguela, casou lá, quatro anos antes, com D.ª Laura Simões, professora e pianista). Quando o Jornal de Benguela, em 1933, anuncia a fundação do Colégio Alexandre Herculano, menciona ser ele “dirigido pela distinta professora Senhora D. Alda da Silva Filipe de Lara”. D.ª Alda nascera a 22 de Agosto, mas ainda não sei de que ano.

Abel Gouvêa Barreto de Lara teria vindo para Angola, ainda segundo Inácio Rebelo de Andrade, em 1905 (quando veio o irmão Lúcio, segundo a biografia de Lúcio Lara publicada pela Associação Tchiweka). Escreve o autor de Saudades do Huambo: 

Com loja comercial na Avenida 5 de Outubro, era contra o regime do Estado Novo, que culpava de todos os males do mundo. Homem da Curibeca, participou activamente na campanha de Norton de Matos à Presidência da República, nutrindo pelo candidato uma admiração sem limites. 

A pertença de Ernesto Lara [pai] à Kuribeka - ou Curibeca - é confirmada por pessoas antigas da cidade de Benguela. Pelos vistos os dois irmãos eram Kuribecas - sê-lo-ia também o irmão Lúcio? Ambos eram, por igual, oposicionistas conhecidos e ferrenhos ao regime salazarista. 

O traço estilístico (marcante) de Ernesto Lara Filho, o da mordacidade, era partilhado com Abel Lara, segundo Rebelo de Andrade (http://huambino.blogs.sapo.pt/54330.html). Seria, portanto, 'património genético' dos Gouvêa Barreto de Lara. 

A biografia de Lúcio Lara lançada pela Tchiweka refere a genealogia de sua mãe: 

A mãe de Lúcio Lara foi Clementina Leite (Barreto de Lara após o casamento), neta por via materna do sekulu Tchiweka, da aldeia do mesmo nome, na área do Mungo. Era frequente na época que o chefe da aldeia e o comerciante estabelecido nas proximidades consolidassem a sua confiança por laços de parentesco e terá sido o caso de Tchiweka e do português Rodrigo Pinto Leite, pai de Clementina. Esta e suas irmãs foram enviadas por algum tempo para um colégio católico no Porto (Portugal) para completarem a sua educação. Pela parte da mãe, elas descendiam de um soba importante do Libolo, Kanganza Hoji, nome que Lúcio Lara chegou a usar como pseudónimo.

Um dado curioso que podemos acrescentar, acerca dos pais de Lúcio Lara, é que o seu casamento foi feito em Portugal. Extraí essa informação do sítio na Internet do jornal O cucujanense. Aí se listam os casamentos e batizados realizados pelo Abade Arede nos seus últimos 12 anos na paróquia da Vila de Cucujães. Transcrevo a menção ao casamento dos pais de Lúcio Lara (filho):

-Aos 11-9-1926, casou Lúcio Gouveia Barreto de Lara (n. 1890), comerciante, filho de Luís Barreto de Lara e de Dª Maria Luzia, natural da freguesia de Machada Sorda, concelho de Almeida, diocese da Guarda, e residente na fregª de S. João da Pedreira, Lisboa, com  Dª Clementina Pinto Leite (n. 1899) natural do Bailundo, Angola, filha de Rodrigo Alves Pinto Leite, de Santiago de Riba Ul e de Dª Marcelina de Sousa Calado Leite. Testemunharam: Dª Lúcia Gouveia Barreto Lara, Dª Clementina Pinto Leite, Dª Rosa Amália Leite;   

Ficou no registo (cucujanense) resumida a parte portuguesa (e parte da angolana) dos antecedentes do nosso grande nacionalista. 

Comentários

  1. Estou imprecionado. Conhesso um dos Laras gente boa, e fiquei curiozo quis saber quem era Ernesto Lara por ifluencia do Facebook.

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