A nacionalidade literária é muitas vezes calculada a partir de um passado (entre vários que lhe constituem uma anterioridade complexa). É o que fazem vários críticos angolanos, ou que se debruçam sobre a nossa literatura (sem que isso constitua exclusividade crítica nacional).
Se o que temos em comum é recente, os projetos e inquietações do presente projetados para o futuro é que nos caraterizam. Isto parece-me óbvio.
Mas o que fazem os críticos neonativistas, por exemplo, é 'descobrir' um passado que funcione como controlador da nacionalidade cultural e literária, reduzindo-a ao que se deduza desse passado.
Lendo um ensaio de João Almino sobre Oswald de Andrade (1890-1954, autor do Manifesto Antropófago, de 1928), sinto reforçadas as minhas posições. E cito:
"O pensamento a arte ou a literatura nacionais não existem como ponto de partida, e sim como ponto de chegada"
Portanto, estudando a literatura nacional, estudando obras que nos pareçam (segundo hipóteses prévias) poder ser angolanas, ao fim desse estudo podemos falar de uma literatura nacional. Fechá-la desde o começo reduzindo-a a alguns aspetos estilizados de uma passado recuperado por abstração é, no mínimo, desfigurar aquilo que não se conhece bem.
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