É o que dizem alguns analistas a propósito da crise portuguesa.
Discordo. Precisava, sim. Há muito tempo. Mas não pelo que se diz.
Parece-me que Portugal tem sido um país crónicamente mal governado. Sendo pobre de recursos naturais só uma boa gestão pode fazê-lo viável. A má gestão contínua, alimentando empresários pouco produtivos, isso é que tornou a ajuda externa incontornável há mais tempo do que 2011.
Incontornável porque é necessário acabar com a chulice das empresas públicas e das fundações e dos assessores e dos sacos sem fundo e nenhum político português até hoje conseguiu isso. Por um motivo simples: é preciso alimentar as clientelas que dão vitória e quadros aos partidos. As clientelas alimentam-se com empregos e facilidades que só uma rede de grandes empresas públicas e fundações pode sustentar.
A intervenção do FMI e da UE levará a quebrar essa falsa rede empresarial e a dinamizar a economia do pequeno país. Obrigará os empresários a gerarem dinheiro e a pagarem impostos ao Estado de acordo com o que auferem. Pelo menos são essas algumas das condições anunciadas. E é por aí que Portugal terá de ir. À força, por causa de uma elite política superficial, arrogante, e de um empresariado no mínimo preguiçoso e acomodado (falo em termos gerais, claro) - ou seja, 'acunhado'.
Não seria mau que Angola acabasse também com as franjas empresariais idênticas que o gigantesco e ineficaz aparelho estatal alimenta artificialmente.
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