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David Mestre morreu há 14 anos



Em sua memória, resumi-lhe a biografia e a bibliografia. 


Nascido Luís Filipe Guimarães da Mota Veiga, o autor começou a ser mais conhecido por David Mestre após publicação do seu segundo livro, «Crónicas do Gheto» (1972). Veio ao mundo em Loures, Portugal, a 3 de Agosto de 1948. 

A família Mota Veiga era uma família importante na Angola colonial. O poeta foi para Luanda com apenas oito meses de idade e viria a falecer em Almada (Portugal), no Hospital Garcia da Orta, vítima de um acidente vascular cerebral, cerca de dois meses antes de fazer 50 anos (a 11 de Junho de 1997). 

Trabalhava então como jornalista (melhor: como revisor de artigos) num periódico em Lisboa (acho que ainda não se tinha desvinculado do 24 horas, mas tencionava desistir) e residia na Charneca da Caparica, juntamente com a última mulher e a filha mais nova, depois de se ter afastado de Angola desiludido com os rumos que o país tomava (como deixou claro em entrevista a José Eduardo Agualusa, saída no jornal Público em Lisboa). Na Charneca ainda privou, por duas ou três vezes, com o poeta moçambicano Rui Knopfli, que David Mestre sempre admirou e que estava a viver os seus últimos dias também.

Colaborara como jornalista e crítico literário em vários jornais e revistas de Angola, do Brasil, de Portugal e de outros países. Coordenou diversas páginas literárias e era também declamador. Fora director do «Jornal de Angola» em 1991-1992 (onde chefiou a redação e, antes, o suplemento cultural). 

Praticou principalmente a poesia lírica, mas foi também crítico e cronista literário de relevo, para além de ficcionista (O relógio de kafucolo).

Era membro da União dos Escritores Angolanos e  representou em Luanda a Associação Internacional de Críticos Literários. 

Fundou e dirigiu em 1971 o grupo «Poesias – Hoje». Organizou para a UEA as obras poéticas definitivas de Aires de Almeida Santos e Ernesto Lara, filho. Teve uma influência decisiva em muitos poetas dos anos 80, pela bibliografia que lhes facultava, pela visão crítica e modernista globalizada, pelo rigor que punha na análise dos textos.

Pretendia escrever um romance, que achava o género próprio da idade em que se encontrava e relia muito, nesse tempo, Lezama Lima.

A sua obra está traduzida em várias línguas.

Bibliografia:
Kir-nan, Luanda, 1967 (provavelmente edição do autor – livro que o próprio considerava prematuro).
Dizer país, Nova Lisboa, Publicações Luanda, 1975 – livro que o mesmo não incluiu nas suas bibliografias, mas que é indicado em algumas fontes, como por exemplo no sítio SanzalAngola.
Crónica do ghetto. Lobito: Cadernos Capricórnio, 1973 (poemas escritos em 1972-1973, que o autor considerava o início da sua carreira como poeta).
Do canto à idade. Coimbra: Centelha, 1977.
Nas barbas do bando. Lisboa: Ulmeiro, 1985.
O relógio de cafucolo Luanda: UEA, 1987.
Nem tudo é poesia. Luanda: UEA, 1987 (2.ª ed., rev. e aum., 1989).
Subscrito a giz: 60 poemas escolhidos (1972-1994). Lisboa: IN-CM, 1996 (Escritores dos Países de Língua Portuguesa, 12 – livro que o autor pretendia que fosse a selecção definitiva dos versos que ele queria que “ficassem”).
Lusografias crioulas. Évora: Pendor, 1997 (a última obra).

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