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Comparação encontrada por acaso


P- Inocência Mata, no seu livro Literatura angolana: silêncios e falas de uma voz inquieta (Mar Além, 2001), diz que entre as literaturas africanas de expressão portuguesa existe uma identidade comum, à partida, e, mais tarde, uma singularização. Afirma mesmo que os seus sistemas literários são sui generis. Que impressão tem deste aspecto e do epíteto «lusofonia» que lhe é incrustado?





R- Exactamente pelo facto de os sistemas literários africanos de um modo geral apresentarem aspectos específicos ou algumas semelhanças de família, e não podia ser de outra maneira, é que se justifica uma teorização própria.


"A coerência do discurso e a fluidez do pensamento, embora por vezes fosse veiculado em português, eram revelados basicamente em língua Umbundu, predominando a força exemplificativa do provérbio. Pude comprovar a importância dessa forma de transmitir saberes, quando, ao confirmar a informação veiculada de modo oral pela minha mãe e meus tios, em 2000 encontrei no Arquivo Histórico Nacional documentos sobre meus bisavôs maternos, filhos de um patriarca chamado Mathias Rodrigues da Costa, capitão de segunda linha, que viveram em Kakonda na segunda metade do século XIX e em princípios do século XX, cuja proeminência social foi liquidada durante a afluência de colonos portugueses e boers àquela parte do território. Mas dessa história eu já sabia de ouvir contar lá em casa"


"Como já disse, os brancos, mulatos e pretos civilizados, que acompanharam Tchilombo ao Planalto de Caconda, eram todos negreiros e para fazerem este negócio com maior liberdade, dispersaram-se pela terra, fundando as seguintes povoações:


José Machado Lobo de Menezes, fundou Cassoco.
João Lourenço Borges, avô de João de Brito, antigo chefe de Caconda, fundou Canduco.
Manuel Lopes Chaves fundou Ndondi.
Venâncio Teodoro França fundou Tchipipa.
Manuel da Cunha e António França de Sousa fundaram Gengue.
Antónia de Sousa Menezes Cadaval fundou Vissapa.
Florência de Cadaval fundou Chimuando.
António Gomes Pereira fundou Caluquila.
Manuel Fernandes da Silva fundou Caluvombolo.
Aurélio José Antunes e Bernardino Frois fundaram Bandeira.
Lázaro de Abreu Leite fundou Cahango.
Manuel de Carvalho, mulato, fundou Chimbamba e Candona.
António do Amaral ( no tempo de D. Maria II ) fundou Dala e Capahua.
Matias Rodrigues da Costa fundou Cahumba ( à data era pároco de Caconda o Padre Manuel de Jesus do Nascimento Amado ).


Entre essas aldeias fundadas por europeus, destacam-se duas - Vissapa e Tchimuando - que, como vimos, têm por fundadoras duas mulheres, a saber: Antónia de Sousa Menezes Cadaval e Florência Cadaval, duas primas, que se dizem netas do Duque de Cadaval."


...


"O escritor Luís Kandjimbo lançou esta terça-feira à tarde, na Universidade Metodista de Angola, UMA, em Luanda, o Ensaio para a Inversão do Olhar – da Literatura Angolana à Literatura Portuguesa.
Segundo a Angop, a obra desenvolve-se em torno do ideal de diálogo e assume as características de um ensaio crítico. O conteúdo procura incentivar ao conhecimento da literatura portuguesa, partindo da angolana.


O livro pode ser visto também como um instrumento de diálogo intercultural activo, onde o principal do olhar é a literatura portuguesa, vista através de alguns dos seus autores.


O escritor nascido na década de 60, em Benguela, é ensaísta, critico literário e membro da União dos Escritores Angolanos.


Angop/SOL"

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