Por culpa sobretudo nossa, profissionais das 'letras', o nosso campo de trabalho e de estudo não tem sido valorizado como qualquer outro.
Por um lado aceitamos isso, e que nos desculpem o que fazemos mal, porque é assim, na literatura é tudo muito subjetivo, etc. Que nada, meus amigos. Quem trabalha na literatura a sério sabe se acrescenta ou não alguma coisa ao que foi dito. Sabe que investiga, que perde horas a ler e a refletir acerca do que leu.
Por outro lado ficou-nos uma ideia falsamente nobre das 'letras', que seriam praticadas por graça, por inspiração... e de graça, valendo às vezes ao literato a piedade de algum mecenas.
Por estes e mais alguns motivos, criou-se o hábito de as editoras pedirem dinheiro aos autores para publicar - e eles caem nisso porque pensam que serão famosos. Puro engano, claro. A editora cobra logo ao autor a despesa e parte do lucro, o que significa que o editor já não vai lutar por esse lucro e as sobras do livro que ficarão com ele ficam à espera que o autor já não tenha mais exemplares e lhe compre o resto a preço de capa. Se não, joga-se fora porque não há espaço para tanta tralha. Repare o autor: ninguém valoriza aquilo que não lhe custa nada; só se o dinheiro de alguém foi empregue é que essa pessoa pensa em rentabilizar, recuperar, enfim, compensar-se de alguma forma pelo dinheiro gasto. É, portanto, o pior golpe de propaganda, é um verdadeiro tiro no pé publicar de graça.
Depois pedem prefácios e estudos aos estudiosos da literatura e pedem-nos, no mínimo, de graça - no máximo ainda lhes pedem para pagar a divulgação do estudo num livro. Quer dizer que o profissional trabalhou (quantas vezes sem qualquer apoio) e ainda lhe fazem um favor divulgando o seu trabalho.
Entre amigos e conhecidos (e mesmo desconhecidos) vai o mesmo. Pede-se pareceres, opiniões, apresentações de livros, conferências, artigos sem levar em conta as horas de trabalho que isso nos toma.
Qualquer engenheiro, qualquer economista, qualquer jurista, qualquer etc. desse tipo cobra, naturalmente, por um parecer. Ninguém trabalha de graça. Mas nas 'letras' não, fecham-se as portas quando alguém se atreve a pedir dinheiro pelo seu trabalho. Fica até mal visto.
No entanto as 'letras' dão dinheiro. Quando os editores efetivamente distribuem os livros sabem que vários deles dão dinheiro. Mas calam-se, fogem ao pagamento dos direitos de autor, desculpam-se com a crise da leitura e todas as mais crises de que falem os jornais - e guardam no bolso o dinheiro que devia pagar o trabalho do estudioso. Mesmo quando os livros foram subsidiados e no pedido de subsídio se inclui, no cálculo dos gastos, os gastos com direitos de autor.
Os editores e livreiros que digam o que querem, o que acham que vende e façam encomendas e paguem-nas assim que recebam o produto.
Tenho experimentado colocar frutos do meu trabalho na Internet. Sem fazer divulgação disso e sem espalhar por vários sítios, confiro o número de leituras e fico satisfeito. Se é para trabalhar de graça, que o leitor também aceda gratuitamente ao meu trabalho. Se é para o leitor pagar, que eu receba também do que ele paga.
Acho que os profissionais das 'letras' deviam ser mais profissionais na sua relação com o trabalho e com a divulgação do trabalho. Hoje, que podemos usar a Internet para tornarmos o nosso trabalho conhecido, gratuitamente ou a baixos custos, não faz sentido alimentarmos a cobiça preguiçosa de empresários que acham que só o trabalho deles merece receitas e que exploram o Estado e os autores a pedir subsídios para tudo e mais alguma coisa - inclusivé para livros que nada acrescentam ao que já se sabe e já se fez.
Pode custar mais no início, mas depois colhemos os frutos. É por isso de apelar a todos os colegas para que cobrem pelo seu trabalho. Mais tarde vamos todos beneficiar disso.
Por um lado aceitamos isso, e que nos desculpem o que fazemos mal, porque é assim, na literatura é tudo muito subjetivo, etc. Que nada, meus amigos. Quem trabalha na literatura a sério sabe se acrescenta ou não alguma coisa ao que foi dito. Sabe que investiga, que perde horas a ler e a refletir acerca do que leu.
Por outro lado ficou-nos uma ideia falsamente nobre das 'letras', que seriam praticadas por graça, por inspiração... e de graça, valendo às vezes ao literato a piedade de algum mecenas.
Por estes e mais alguns motivos, criou-se o hábito de as editoras pedirem dinheiro aos autores para publicar - e eles caem nisso porque pensam que serão famosos. Puro engano, claro. A editora cobra logo ao autor a despesa e parte do lucro, o que significa que o editor já não vai lutar por esse lucro e as sobras do livro que ficarão com ele ficam à espera que o autor já não tenha mais exemplares e lhe compre o resto a preço de capa. Se não, joga-se fora porque não há espaço para tanta tralha. Repare o autor: ninguém valoriza aquilo que não lhe custa nada; só se o dinheiro de alguém foi empregue é que essa pessoa pensa em rentabilizar, recuperar, enfim, compensar-se de alguma forma pelo dinheiro gasto. É, portanto, o pior golpe de propaganda, é um verdadeiro tiro no pé publicar de graça.
Depois pedem prefácios e estudos aos estudiosos da literatura e pedem-nos, no mínimo, de graça - no máximo ainda lhes pedem para pagar a divulgação do estudo num livro. Quer dizer que o profissional trabalhou (quantas vezes sem qualquer apoio) e ainda lhe fazem um favor divulgando o seu trabalho.
Entre amigos e conhecidos (e mesmo desconhecidos) vai o mesmo. Pede-se pareceres, opiniões, apresentações de livros, conferências, artigos sem levar em conta as horas de trabalho que isso nos toma.
Qualquer engenheiro, qualquer economista, qualquer jurista, qualquer etc. desse tipo cobra, naturalmente, por um parecer. Ninguém trabalha de graça. Mas nas 'letras' não, fecham-se as portas quando alguém se atreve a pedir dinheiro pelo seu trabalho. Fica até mal visto.
No entanto as 'letras' dão dinheiro. Quando os editores efetivamente distribuem os livros sabem que vários deles dão dinheiro. Mas calam-se, fogem ao pagamento dos direitos de autor, desculpam-se com a crise da leitura e todas as mais crises de que falem os jornais - e guardam no bolso o dinheiro que devia pagar o trabalho do estudioso. Mesmo quando os livros foram subsidiados e no pedido de subsídio se inclui, no cálculo dos gastos, os gastos com direitos de autor.
Os editores e livreiros que digam o que querem, o que acham que vende e façam encomendas e paguem-nas assim que recebam o produto.
Tenho experimentado colocar frutos do meu trabalho na Internet. Sem fazer divulgação disso e sem espalhar por vários sítios, confiro o número de leituras e fico satisfeito. Se é para trabalhar de graça, que o leitor também aceda gratuitamente ao meu trabalho. Se é para o leitor pagar, que eu receba também do que ele paga.
Acho que os profissionais das 'letras' deviam ser mais profissionais na sua relação com o trabalho e com a divulgação do trabalho. Hoje, que podemos usar a Internet para tornarmos o nosso trabalho conhecido, gratuitamente ou a baixos custos, não faz sentido alimentarmos a cobiça preguiçosa de empresários que acham que só o trabalho deles merece receitas e que exploram o Estado e os autores a pedir subsídios para tudo e mais alguma coisa - inclusivé para livros que nada acrescentam ao que já se sabe e já se fez.
Pode custar mais no início, mas depois colhemos os frutos. É por isso de apelar a todos os colegas para que cobrem pelo seu trabalho. Mais tarde vamos todos beneficiar disso.
Comentários
Enviar um comentário
Comente