"Entre os anos 800 e 1000DC acentuou-se, gradualmente, a separação dos dois principais ramos em que, já depois da travessia do Rovuma, se dividiram os protomacuas: o do norte e leste veio a dar origem aos modernos macuas; o do sul e oeste, composto por Lómuès e Lolos, dirigiu-se ao Chire e ao Baixo Zambeze. A sua vanguarda, formada por estes últimos, entrou em contacto com elementos do grupo Marave, vindos do país Luba, no sul do atual Zaire, através dos planaltos centrais, a ocidente do Lago Niassa. Parte destes Lolos foram designados por Cocolas pelo ramo mais meridional dos Maraves, os Manganjas" (A. Rita-Ferreira – Fixação portuguesa e história pré-colonial de Moçambique. Lisboa: IICT-JIU, 1982).
Era o começo (se antes não houve mais nenhum, que desconheço) de uma longa história: a da nação Luba no corredor que leva do Leste de Angola até Moçambique. Relacionada com ela está, sem dúvida, a produção e circulação de "meios de troca com padrões de peso e volume", sendo que "as famosas cruzetas de cobre já se fundiam no Katanga, no sec. VIII" (Id. – ib. – p. 43). Uma evolução elucidativa, que nos mostra que, ao falar no mapa-cor-de-rosa, Portugal não estava a inventar um corredor imaginário para ligar duas colónias, mas a rentabilizar, numa conferência colonial, uma rota comercial e mesmo cultural antiga, que os próprios portugueses tentavam há muito percorrer com mais liberdade. Ou seja: tentaram fazer o que fizeram com o Tratado de Tordesilhas: aproveitar-se do conhecimento mais profundo que tinham do terreno. Só que desta vez já lá tinham andado os ingleses e perceberam o mesmo: o mapa-cor-de-rosa era, afinal, um mapa-cor-de-Luba e a nação Luba era fundamental nos transcursos entre Oriente e Ocidente africanos, cortando por outro lado – ou filtrando – as investidas de Norte para Sul.
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