"Eu prefiro começar com a consideração de uma emoção […/…] das inúmeras emoções, ou impressões, a que o coração, o intelecto, ou (mais frequentemente) a alma é suscetível, qual escolho neste momento?" (Edgar Allan Pöe, Filosofia da composição, p. 18). Subsequente à escolha da emoção define o autor o incidente e o tom apropriados a sugerir tal emoção.
A escolha, em primeiro lugar, da emoção pode definir o romantismo – se, com Pöe, nos afastarmos da crença na inspiração romântica. Na medida em que essa corrente artística veio justamente colocar a emoção no centro das atenções, no primeiro móbil da criação poética (e primeiro em dois sentidos: o exposto aqui por Pöe – aquilo em que se pensa inicialmente – e o de principal, em torno do qual tudo o resto se desenvolve). Um clássico pensaria no assunto, no tema, no tratamento que deve ser dado ao tema e só depois (ou, quando muito, simultaneamente) na emoção, no tom e no incidente correspondentes.
Vistas as coisas assim um poema seria tanto mais romântico quanto mais se concentrasse, do início ao fim, na sugestão de uma ou duas emoções, por assim dizer de um eixo afetivo.
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