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João Tala no forno feminino

João Tala tem vindo a superar-se a cada livro. Forno feminino, título de líricas em verso editado em Luanda pela Kilombelombe, vive em grande parte de uma analogia baseada no tradicional forno feminino dos ferreiros que o autor encontrou na Lunda-Norte (segundo a nota preliminar). A conotação erótica é evidente e transversal quase a todo o livro, que no entanto vai para além dela e não deixa de realizar denúncias sociais. A coerência semiótica dos poemas é de realçar, a par de imagens fortes, funcionais embora inusitadas, acompanhando um ritmo amigável ao mesmo tempo que também acutilante. Ainda de notar, a meu ver, o recurso a ambivalências, especialmente à colocação de palavras ou frases que tanto se podem acoplar ao verso ou frase anterior quanto ao posterior e que parecem mesmo servir os dois sem qualquer contradição. É um recurso que David Mestre e Arlindo Barbeitos usaram e que foi alastrando ao longo dos anos 80 e 90, atingindo talvez o seu máximo uso na lírica de Abreu Paxe.
Mais uma grata surpresa, portanto, de João Tala.

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