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Notícia exemplar

Do lançamento do livro mencionado na colocação anterior (v. abaixo), um jornalista da Angop tirou uma notícia que é um exemplo do mau jornalismo praticado no país. A notícia centra-se exclusivamente nas declarações do Secretário-geral da UEA na cerimónia de lançamento do livro. Não está, naturalmente, em causa a menção ao também contista Carmo Neto. No entanto não se mencionou um dos 'furos' jornalísticos trazidos pela fala de Carmo Neto: o propósito de trazer até Benguela o Prémio de Literatura Infantil Manuel Rui Monteiro, promovido pela UEA e por este escritor angolano. Também não se diz ao leitor quem é que organizou o evento, que foi a primeira atividade pública do núcleo local da UEA, chefiado pela escritora Paula Russa. Não se escreve uma única palavra sobre a apresentação da obra, nem uma palavra sobre as palavras do próprio escritor nesse momento. No fim, faz-se a referência bibliográfica do livro com todos os pormenores, dão-se uns dados biográficos mínimos e remata-se com este parágrafo:

"Assistiram ao ato de lançamento da obra, decorrido no auditório da Rádio Benguela, para além do secretário-geral da UEA, Carmo Neto, o escritor Francisco Soares, o reitor da Universidade Katyavala Bwila, poetas, trovadores, estudantes, familiares e amigos."

O apresentador da obra é noticiado como tendo assistido ao seu lançamento. A nomeação dos que assistiram ao lançamento começa pelo escritor Francisco Soares, seguindo-se "o reitor da Universidade Katyavala Bwila", invertendo a ordem protocolar das referências. A presença de jornalistas, declamadores e músicos, que atuaram no evento, é completamente ignorada. Realmente, quem se quiser informar através da Angop fica no mínimo com uma ideia distorcida e empobrecedora do que se passou.

Mas não só. O Jornal de Angola, oficial, oficioso e único diário do país, apesar de estar representado no evento por um jornalista que elaborou matéria própria, limita-se a republicar a notícia da Angop na íntegra, com uma foto do escritor Carmo Neto que não foi tirada no evento e, sob a foto, a notícia de que o Secretário-geral da UEA tinha apresentado essa obra em Benguela (o que, não sendo verdade, é a conclusão a tirar por quem só leu a notícia da Angop).

Estes factos tornam-se um exemplo claro do mau jornalismo que ainda se pratica muito em Angola e da razão pela qual ele subsiste.

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