Desde o tempo em que os animais falavam sabemos, seguramente, que andavam em grupo. Cada grupo conhecia uma rede de palavras através da qual se definia, se identificava, dentro do grupo e face aos 'outros'. O homem é um ser que deambula mesmo quando sedentário, com a intensidade de um vício, de uma paixão se quisermos ser mais saudáveis. Por andar muito, tinha de organizar a sua apresentação e representação perante os outros e perante si: garantia, desta forma também, quer a coesão do grupo, quer a sua 'autenticidade' - ou seja, particularidade que, destacando-o, justificava uma existência autónoma. Desde que se organizou assim, cada grupo tem algumas pessoas encarregues de, em nome de todos, recontar a história coletiva, trazer o discurso do presente, apontar ao futuro de forma que o grupo possa também seguir coeso na mesma direção, reconhecer-se, identificar-se por esse discurso futurante, quero dizer, nessa rede de palavras organizadas em função de um sentido, um ru...
Ensaios de estranheza, pesquisa e reflexão.