Infelizmente e muitas vezes ainda as leituras que se fazem da literatura, da política, da economia e da sociedade (por vezes até da religião), em Angola, são deturpadas por uma visão, no mínimo, racializada e, comummente, racista. Nesse aspecto, uma análise marxista e uma panorâmica demográfica podem tornar-se saudáveis para podermos olhar a nossa própria realidade sem estarmos, a cada momento, à procura de fotografias das pessoas para sabermos se são brancos, negros, mestiços, sulanos, do norte e tudo o mais que vem à cabeça de mentes preconceituosas e malformadas. Sendo a minha área de estudos a dos estudos literários, inclino-me para ela e tomo-a por exemplo, muito provavelmente extensível a todas as outras áreas acima citadas. Se possuirmos uma visão de conjunto da formação da nossa literatura, facilmente percebemos que há uma longa e lenta fase de formação, seguida por uma proliferação de obras, autores e tendências. Ambas as características articulam-se com o tipo...