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Mensagens

Novembros

Novembro foi o mês decisivo dos angolanos, o mês da independência. No último dia desse mês morreu Fernando Pessoa, o autor da Mensagem que alimentou o nacionalismo espiritual português e também o grande poeta modernista. Estas duas balizas podiam servir como pontos de partida para a leitura de Novembro , de Victor Burity da Silva. Apenas como ponto de partida e explico porquê.

Um almoço e um cabinda

Augusto Bastos, inteligente e profícuo escritor, investigador e político benguelense, escreveu nos anos 30 o que talvez seja o primeiro policial angolano: As aventuras policiais do reporter Zimbro . Por mais que procure ainda não me deparei com tal livro. Descobri, sim, uma primeira publicação em folhetins no Jornal de Benguela , incompleta (embora com a maioria esmagadora dos capítulos). Isso vai suscitar-me comentários e estudos mais prolongados - e a extensão do texto não fica bem aqui. De resto, preciso prepará-lo primeiro para divulgação, pois contém muitas gralhas e uma grafia confusa.  Repasso entretanto este excerto hoje desconhecido e sempre delicioso, que narra um almoço por alturas de 1879 (ano em que penso que se desenrolam as 'aventuras'). O almoço, nesse tempo, era servido por volta das 10h da manhã.  Mantive a ortografia tal como na fonte. Mesmo as gralhas, que vão assinaladas.

Descoberta uma nova raça nos EUA em 1931

“O antropologo americano Edwin Embree acaba de surpreender os seus compatriotas com a descoberta de uma nova raça, que denominou americana-morena . Os elementos que contribuiram para ela são sangue de branco, de indio e de negro, devendo-se a sua iniciação a figuras distintas como Tomas Jefferson e Tyler .  Na América há 12 milhões de americano-morenos, estando-lhes reservado, segundo o professor Embree, o futuro da grande nação.  Isto é só para chocar a vaidade de certos apaixonados americanos de cabelos loiros…” ( Jornal de Benguela .  272 [23-12-1931] 1) ... Mas não só. E a colocação deste texto aqui, para além da leve ironia com que o fiz, excita várias reflexões. Em primeiro lugar a queixa subtil do articulista relativamente ao preconceito e cânone estético privilegiando os cabelos loiros. Em segundo lugar a reflexão sobre os motivos identitários do articulista ao transcrever a notícia. E daí me abalanço para as outras reflexões.  Em prime...